UM DOS PRIMEIROS SETOres a ser socorrido pelo governo em função da crise global foi o agronegócio. Numa reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) forçou os bancos a aumentar o financiamento agrícola. Na semana passada, o percentual dos depósitos à vista destinado ao crédito rural subiu de 25% para 30%. Com isso, o Banco Central calcula uma injeção de mais R$ 5,5 bilhões ao setor a partir de novembro deste ano. Isso acontece num momento crucial, porque os produtores estão plantando a safra 2008/2009 e muitos bancos estavam travando a oferta de recursos. Mesmo assim, o cenário ainda é incerto. Além da questão dos financiamentos, que foi atacada pelo governo, os produtores enfrentam o dilema de ampliar ou não a área plantada, num momento em que os preços das commodities começam a cair – em alguns casos, como o do milho, mais de 40%. Vamos acompanhar de perto o cenário mundial nos próximos seis meses, até o início da comercialização da safra”, disse à DINHEIRO o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. “O governo vai trabalhar para garantir a renda mínima do produtor.”

Na quarta-feira 15, um dia depois da reunião do CMN, venceram mais de R$ 5 bilhões em dívidas referentes a 40% da primeira parcela do refinanciamento da compra de máquinas. Os produtores de Mato Grosso se uniram e decidiram não pagar cerca de R$ 1 bilhão – e 70% desses recursos são do BNDES. “Os bancos não estão emprestando. Não temos fluxo de caixa para conduzir a lavoura e quitar a parcela da renegociação da dívida”, explica Carlos Augustin, conselheiro da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso. “Não sabemos quando o crédito voltará, as tradings pararam de emprestar e os bancos estão racionando o crédito.” Os bancos, contudo, garantem que a inadimplência é de apenas 7%. Na tentativa de dar mais fôlego para os produtores, o BC distribuiu a carta-circular nº 3.345, reclassificando o grau de risco dos agricultores que renegociaram dívidas, tornando-os aptos a adquirir financiamentos. A medida beneficia produtores que renegociaram R$ 56,3 bilhões em dívidas das safras desde 2003/2004 e estavam impedidos de tomar crédito. Ainda assim, muitos estão cautelosos. No cenário atual, já se diz que dificilmente o Brasil ampliará a safra deste ano, que ficou em 140 milhões de toneladas.