31/08/2005 - 7:00
Oprimeiro ciclo de um trabalho de reestruturação iniciado em janeiro deste ano na Chubb do Brasil fechou-se na semana passada. Ao apresentar ao mercado o balancete do primeiro semestre deste ano, revelando um salto de 700% em seu resultado operacional, o presidente da companhia, Acacio Queiroz, lembrou-se de seu primeiro movimento à frente da seguradora. Sete meses atrás, recém-empossado, o veterano administrador de seguradoras promoveu uma reunião de diretoria de três dias. A idéia era ?realinhar? a companhia a partir de avaliações internas e externas sobre ela. ?Tínhamos uma imagem arrogante, e isso estava afetando os resultados?, lembra o executivo. Gigante nos Estados Unidos, a Chubb, no Brasil, é sinônimo de seguros para automóveis, iates e residências de altíssimo padrão. Sem abandonar este nicho de mercado, Queiroz determinou a ampliação do foco, para atrair uma clientela menos endinheirada. Foi uma tacada certeira. Além do salto de R$ 1,5 milhão para R$ 12 milhões no lucro operacional, a seguradora obteve crescimento de 45% na receita em prêmios e ganho de 50% na produtividade por funcionário.
A Chubb, em suma, tirou o salto alto. Tanto externa como internamente. ?Encontrei aqui uma equipe maravilhosa, mas percebi que, sem gravata, eles se sentiam nus?, brinca Acacio, referindo-se ao ambiente formal que imperava na companhia. Para quebrar o gelo, o presidente da empresa não perde uma chance de desmistificar o próprio cargo. Exemplo: foi ele o padre do casamento caipira celebrado na festa junina dos funcionários da seguradora.
Com este jeitão descontraído, Acacio parece estar operando uma discreta virada no rumo da companhia. Três anos atrás, a Chubb sofreu um golpe e tanto ao perder a carteira de seguro de vida do Citibank. Luis Fernando Mathieu, seu presidente à época, recompôs a carteira de vida atraindo clientes empresariais e fechando um acordo com o BankBoston. Mesmo assim, amargou temporadas com números no vermelho. Com 30 anos de experiência no mercado segurador, Acacio substituiu-o em janeiro, cacifado pelo sucesso do modelo de negócio que implantou na Ace do Brasil, baseado em seguros para o público de baixa renda. ?É óbvio que ele vai tentar a mesma coisa na Chubb?, aposta o consultor Luiz Roberto Castiglione, da Academia Nacional de Seguros e Previdência. A competição neste segmento, porém, hoje é acirrada. ?Ele vai mudar a empresa, desde que a concorrência não acabe com ela antes?, adverte Castiglione. ![]()
| Salto em um semestre Resultados melhoram na comparação com primeira metade de 2004 |
Receita em prêmios: + 50% |