15/06/2005 - 7:00
O governo corre contra o tempo para esquentar a economia. Na próxima quarta 15, o presidente Lula ? acompanhado do pelotão de frente do governo ? assina a ?MP do Bem?, divulgada há duas semanas pelo ministro Luiz Fernando Furlan. Mas o que era para ser um conjunto de medidas de incentivos a setores exportadores terá um escopo bem mais amplo. Trata-se da agenda positiva que está sendo montada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Seu eixo principal é a utilização do excesso de superávit primário em novos investimentos. O recorde alcançado nos quatro primeiros meses do ano ? de 7,26% do PIB ? provocou críticas contundentes de empresários ao arrocho declarado pela equipe econômica. Diante do efeito negativo, e apertado pela crise política, Palocci e sua equipe passaram a trabalhar para ?gastar? o excesso e voltar ao patamar de 4,25%.
O ministro está inclinado a liberar parte do superávit para tocar projetos de impacto que há anos cobra-se do governo, como a Ferrovia Norte-Sul, o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro e o anel ferroviário de São Paulo. Estima-se que elas consumam cerca de R$ 8 bilhões. Esses investimentos serão contemplados, ainda, com desoneração de tributos federais como PIS e Cofins. Estuda-se que parte do superávit ? até agora de R$ 44 bilhões ? seja usada para abater a renúncia fiscal que o governo terá com as 15 medidas adotadas no pacote de Furlan para desonerar novos investimentos em exportações.
Todas as iniciativas estão sendo acompanhadas de perto por investidores internacionais. ?Se a responsabilidade fiscal for deixada de lado, a tendência é o investidor estrangeiro mudar de barco?, lembrou à DINHEIRO o economista-chefe da Goldman Sachs, Paulo Leme.
A agenda positiva coincide com a divulgação de projeções do Ipea. Na semana passada, a previsão de crescimento de 3,5% do PIB foi reduzida para 2,8%. O maior balde de água fria, contudo, recaiu sobre os investimentos, cujas previsões despencaram de 8,3% para 4,8%. A medida provisória com a agenda positiva não foi publicada na semana passada porque a Fazenda estudava uma maneira de operacionalizar as isenções fiscais. Noutras palavras, a preocupação do governo em não abrir mão de receita e fazer superávit ainda esta vez falou mais alto. ![]()