O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, na quarta-feira 24, realizar uma devassa nos cartões de crédito corporativos do Governo Federal. Os sete ministros do TCU autorizaram, por unanimidade, uma auditoria especial nas contas dos cartões da Secretaria de Administração da Presidência da República e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). ?Vamos avaliar, principalmente, a transparência das operações?, diz o ministro do TCU, Ubiratan Aguiar. Durante a votação da auditoria, a maior inquietação dos ministros foi o número de saques em dinheiro vivo, revelados com exclusividade na última edição da DINHEIRO. A equipe do TCU começa a trabalhar em 15 dias para cruzar dados do Sistema de Informações do Governo (Siafi) com extratos e recibos de despesas apresentados pelos usuários dos cartões.

Segundo dados do Siafi, este ano, foram realizados saques de R$ 6,8 milhões, de um total de R$ 10,2 milhões movimentados com os cartões do Governo. Antes da votação da abertura da auditoria ? eufemismo para quebra de sigilo dos cartões ?, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, foi pessoalmente ao Tribunal tentar convencer a corte de que a medida não seria necessária. Ela argumentou ao presidente do TCU, ministro Adylson Mota, que o governo daria todas as informações aos juízes. ?Não há sigilo para o TCU?, disse a ministra. À DINHEIRO, a Casa Civil enviou nota de esclarecimento afirmando que as informações sobre os cartões ?sempre estiveram, e estão, à disposição do TCU?. Apesar desses argumentos, o tribunal, descontente com a falta de transparência por parte do Planalto, decidiu iniciar a auditoria. Seu resultado vai determinar se as investigações serão estendidas às outras 68 unidades do Governo que utilizam os cartões.

A secretária-executiva da Presidência, Erenice Guerra, afirmou que os saques em dinheiro ocorrem por causa do sistema que restringe o uso dos cartões apenas aos seus portadores. Com isso, o reembolso dos gastos de ministros e do próprio presidente em viagens oficiais, por exemplo, só pode ser realizado por meio do dinheiro dos saques em espécie. ?Torcemos para que essa auditoria fosse aprovada pelo TCU, para acabar de uma vez com essa fantasia de que existem irregularidades nos gastos?, disse Erenice. O Ministério do Planejamento anunciou que até o fim de 2006 o número de cartões corporativos deve passar dos atuais 3,4 mil para 23 mil em todo o governo. Os valores movimentados e a identificação dos usuários dos cartões estarão disponíveis no Siafi. Os únicos dados restritos ao público, mas liberados ao TCU, serão os gastos relativos à segurança do presidente da República e às atividades secretas da Abin.