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TINTA FRESCA: nervosismo leva taxa de câmbio a inverter tendência e fechar em alta de 32% em 2008

 

SÃO AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ. Até pouco tempo atrás, a valorização do real em relação ao dólar era tida praticamente como uma constante. Com fundamentos macroeconômicos mais amadurecidos, poucos duvidavam da continuidade da tendência de fortalecimento da moeda brasileira. A inversão do cenário começou em agosto, acompanhando a intensificação das turbulências nos mercados e a chegada da crise financeira global no País. Após atingir a mínima de R$ 1,559 em 1º de agosto, o dólar comercial reverteu o declínio e subiu 32% no ano. A brusca mudança no mercado cambial assustou e trouxe prejuízos bilionários a companhias que apostavam grandes quantias no mercado de derivativos. Mas há aqueles que receberam com bons olhos o dólar mais fortalecido: os cotistas dos fundos cambiais atrelados à moeda norte-americana.

Os fundos das “verdinhas” foram os campeões de rentabilidade em 2008. Eles estavam perdendo mais de 10%, em média, até julho, mas o agravamento da crise – que levou a vendas maciças de ações por parte de investidores estrangeiros no Brasil – aumentou a demanda pela moeda americana e inverteu essa tendência. Até novembro, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), em média os cambiais em dólar renderam 33,93%, acima dos 18,74% dos lastreados em euros, e ficaram no topo do ranking das 46 categorias listadas pela entidade. Os fundos de previdência do tipo cambial em dólar conseguiram 23,81%. No levantamento da Tag Investimentos para a DINHEIRO, os dez melhores fundos cambiais até novembro renderam de 33,96% a 41,15% no acumulado de 12 meses. Será que esse fôlego continua em 2009?

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Ninguém sabe dizer. A incerteza ainda é o grande problema dos fundos cambiais. Aliada à desaceleração da economia de forma global, a aversão ao risco por parte dos investidores internacionais desestimula investimentos em mercados emergentes. Com isso, o dólar promete continuar subindo nos próximos meses. “Estamos vivenciando um momento de overshooting”, diz Fernando Fix, economista-chefe da Votorantim Asset Management, gestora do melhor fundo cambial de 2008. E explica: “São exageros do mercado que devem culminar com uma volatilidade ainda maior do câmbio.” É por isso que o Votorantim, seguindo a tendência verificada no boletim Focus, do Banco Central, estima em R$ 2,20 a cotação do dólar até o final do ano. Mas aí reside um problema. Caso a cotação realmente caia a tais níveis, há o risco de redução nos rendimentos dos fundos. Na quinta 7, o dólar estava em R$ 2,38.

Quem tem medo do futuro deve considerar os fundos cambiais como uma de muitas alternativas de aplicação financeira, jamais a única. “O fundo é mais atrativo como diversificação de investimento. Em rentabilidade, não”, sugere Fix. “Ainda assim, promete manter-se numa faixa entre os fundos de ações e os de renda fixa.” Os fundos cambiais continuam sendo indicados para aqueles que têm planos em dólar, como uma viagem ou cursos no Exterior, e também para quem possui dívida em moeda estrangeira. Mas é muito difícil apostar contra uma moeda que paga juros tão altos como é o caso do real. É o tipo de investimento que não serve para os conservadores ou para aqueles que não têm tempo para acompanhar o mercado. Emoção apenas para corações fortes