Os executivos da Nestlé no Brasil estavam temerosos em 1994. Pela primeira vez, em todo o mundo, lançava um leite fermentado. A idéia, que nasceu na filial, recebeu a aprovação da matriz para ser implementada. Havia um amplo território a conquistar, já que o mercado era explorado desde 1966 apenas pela japonesa Yakult. Mas havia um problema: a tradição da concorrência. ?Nenhuma outra empresa havia tentado antes concorrer na área e pesquisas nos mostravam que o consumidor estava disposto a saborear um novo produto?, conta Marcio Weiler, gerente de marketing da Nestlé. Do medo inicial, hoje não sobra nada. O Brasil exportou a fórmula para Chile, México, Hong Kong, Filipinas e Malásia. E o melhor: o instituto de pesquisa AC Nielsen verificou que, entre agosto e setembro, o Chamito da Nestlé deteve 45,3% das vendas no varejo, contra 37,4% da Yakult. A Nestlé ganhou uma batalha importante, mas não a guerra. No acumulado do ano até setembro, sua fatia foi de 40,3%, enquanto a da concorrente chega a 42%. No próximo ano, a briga pela liderança será mais calorosa. Além de prometer investimento maior em marketing ? cuja cifra não revela ?, a empresa suíça ampliará a atuação onde a rival reina praticamente sozinha: o tradicional porta a porta. Um exército de 12 mil revendedores da Yakult visita diariamente os confins de 12 Estados brasileiros. Cerca de 60% da receita de R$ 300 milhões em 2000 vêm desse trabalho domiciliar.

No início deste ano, a Nestlé contratou mil pessoas para correr
as ruas da Grande São Paulo e Baixada Santista em busca de clientes. Em 2002, mais mil revendedores trabalharão em uma região ainda indefinida: Estado do Rio ou interior paulista. A Yakult quer reagir. ?Somos muito fortes no sistema porta a porta?, diz o presidente Masahiko Sadakata?. Ele já reservou R$ 15 milhões para propaganda em 2002 (foram R$ 12 milhões em 2001). Se depender do garoto-propaganda da Nestlé, um gênio, esse será um trabalho difícil para os japoneses.