06/10/2026 - 14:05
O resultado do primeiro turno das eleições deflagrou um rali expressivo para as ações do setor da construção civil na Bolsa de Valores, com destaque para as incorporadoras voltadas para a média e alta renda. Segundo levantamento do Goldman Sachs, o setor registrou o melhor desempenho relativo ao Ibovespa em um pregão pós-primeiro turno entre os últimos ciclos eleitorais, superando o índice em média por 3,2 pontos percentuais.
Com a forte valorização de papéis como Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que superaram o Ibovespa em 10,7 e 9,2 pontos percentuais respectivamente, o mercado financeiro recalibra suas carteiras. A dúvida central dos investidores agora é onde ainda reside o potencial de alta para o setor.
Média e alta renda ganham protagonismo
A reavaliação de cenários favoreceu os papéis mais sensíveis às taxas de juros de longo prazo. Em relatório recente, o JPMorgan promoveu uma rotação estratégica dentro da sua cobertura, elevando as recomendações de Cyrela e Eztec para overweight (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra).
A tese do banco fundamenta-se na maior probabilidade de uma trajetória fiscal que permita o fechamento das taxas de juros longas. O movimento beneficia diretamente o financiamento imobiliário e expande os múltiplos de avaliação do segmento de média e alta renda. Em contrapartida, a instituição rebaixou os papéis de Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) para neutro.
Cyrela é a única unanimidade entre as casas
A Cyrela desponta como a tese de maior convergência no mercado:
JPMorgan: Definiu preço-alvo de R$ 34,50 para dezembro de 2027. O banco destaca a diversificação do grupo, a contribuição estimada de mais de R$ 550 milhões via equivalência patrimonial em subsidiárias (como Cury, Lavvi e Plano&Plano) e o valor oculto da operação da CashMe, avaliada em cerca de R$ 3 bilhões.
Goldman Sachs: Mantém recomendação de compra. Mesmo após atingir a casa dos R$ 33 no rali pós-eleitoral, a ação negociava a 6,5 vezes o lucro projetado para 12 meses — o menor múltiplo histórico comparativo da empresa em períodos eleitorais passados.
Divergência sobre Eztec e a baixa renda
Se a Cyrela reúne consenso, o restante da cobertura gera divisão entre os analistas:
Eztec (EZTC3): É a segunda preferida do JPMorgan, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19, sustentada pelo desconto patrimonial e o potencial de monetização da Esther Tower. Já o Goldman Sachs reitera recomendação de venda para a ação, fixando o preço-alvo em R$ 13 diante de métricas operacionais menos atrativas.
Segmento de Baixa Renda (CURY3, DIRR3, TEND3): O JPMorgan aponta riscos operacionais no setor, citando a restrição no crédito concedido pela Caixa Econômica Federal e eventuais mudanças na política habitacional. Em contraste, o Goldman Sachs preserva visão otimista e mantém recomendação de compra para Cury (preço-alvo de R$ 43), Direcional (R$ 18) e Tenda (R$ 33), argumentando que os múltiplos atuais já embutem um desconto excessivo.
MRV (MRVE3): Permanece com avaliação neutra por ambos os bancos. O mercado vê com cautela a alavancagem financeira da companhia e a dependência de resultados da Resia, sua operação nos Estados Unidos.
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