11/05/2001 - 7:00
Melhor prevenir do que remediar. Empresas que levaram esse ditado a sério hoje são recompensadas pelas bolsas às vésperas do apagão. Companhias que investiram na auto-suficiência em eletricidade vêm recebendo uma injeção de energia nos pregões. Já aquelas sem estrutura para superar o racionamento colhem más notícias a cada fechamento da Bovespa. Empresas que, além de auto-suficientes em energia são exportadoras ? como Aracruz, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Embraer ? estão no Olimpo, porque o mercado prevê que, além de fugir do racionamento, escaparão da queda na atividade econômica que deve acontecer como efeito da crise.
Os papéis da Aracruz, por exemplo, já haviam subido 16,5% de janeiro a abril. Em maio, quando o governo admitiu que poderia haver racionamento, eles engataram uma marcha rápida e saltaram 21%, fechando o período de 12 meses com valorização de 40,9%. No mesmo período o Ibovespa amargou perdas de 3,6%. Quase toda a produção de papel e celulose da Aracruz é exportada. Ou seja, ela não será afetada por uma eventual redução do consumo interno. O mesmo não se pode dizer de sua rival Klabin, cujas ações caíram 43,6% no cálculo anualizado. ?Ela não é auto-suficiente, produz basicamente para o mercado interno, que corre o risco de desacelerar, e ainda é altamente endividada em dólar?, analisa Alexandre Póvoa, diretor de investimentos do ABN Amro Asset Management.
Siderúrgicas que se prepararam para o racionamento, como a CST e a CSN, também foram recompensadas. A energia responde por quase 30% do custo de produção do alumínio. Sem eletricidade, companhias como Valesul e Alcan terão de reduzir a produção. A CST, que é auto-suficiente e negocia os excedentes no mercado aberto, ou a CSN, que fez um contrato de fornecimento com a Light até 2006, estão prontas para aumentar suas participações no mercado. As ações da primeira, que haviam subido 3% de janeiro a abril, dispararam 12,9% desde o anúncio do racionamento.
No rol das empresas prejudicadas está a Gerdau. A companhia, que não possui produção própria de energia, viu as cotações de seus papéis despencarem. Até abril eles eram dos mais promissores na Bolsa, com alta de 18,1%. Com o apagão, o valor desabou 13,6% em maio, susto maior que o registrado pelo Ibovespa, que recuou 1,4% no mesmo período. ?As empresas elétricas, especialmente as que têm dívida em dólar, serão duplamente penalizadas?, avalia Póvoa. Desde o início de maio as ações das 31 empresas de energia entraram em baixa. O pior tombo foi o da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), que subia 82,7% até abril, mas caiu 12,9% em maio com o anúncio do racionamento.