Acusado de estelionato pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Matheus Brião de Souza foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP), no mês passado, e agora está em processo de espera pela liberação da transferência para uma penitenciária catarinense. Souza é acusado de aplicar golpes contra, pelo menos, 14 vítimas em Florianópolis, em 2022. O prejuízo somado teria ultrapassado R$ 2,6 milhões.

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Brião era considerado foragido desde junho de 2025, quando foi decretada sua prisão preventiva. Ele não foi ouvido durante as investigações, já que a polícia não conseguiu localizá-lo. Seu paradeiro era desconhecido até dezembro do ano passado, quando ele procurou a embaixada brasileira na Tailândia após perder seu passaporte. Em 3 de abril, ele desembarcou no Brasil e foi conduzido imediatamente para o Centro de Detenção Provisória Belém II – unidade prisional masculina de segurança máxima em São Paulo.

A defesa de Brião afirma que o jovem retornou ao país já com o intuito de se entregar às autoridades. No dia 17, a Justiça ordenou a transferência para Santa Catarina, preferencialmente para a comarca da capital. O advogado Nilton João de Macedo Machado informa que ainda não conseguiu comunicação com seu cliente, e que a defesa aguardará para se manifestar.

O golpe do fundo falso de criptomoedas

Segundo a investigação, Matheus Brião de Souza teria induzido as vítimas a fazerem diversas transferências para sua conta pessoal entre os meses de março e outubro de 2022. Para atraí-las, ele afirmava administrar um fundo de criptomoedas e prometia alcançar alta rentabilidade através de estratégias de investimento de swing trade e day trade. Na época, o jovem tinha 18 anos.

Para dar credibilidade ao negócio, o denunciado teria oferecido às vítimas contratos “de prestação de serviços de consultoria e gestão de criptomoedas”, utilizando o timbre do escritório ”Brião & Sousa Advogados Associados”, administrado por seus pais, Marcos Ribeiro de Sousa e Michelle Costa Brião. O escritório não existe mais. Sua página em rede social teve o nome substituído por “Brião Advogados”, e não é atualizada desde o fim de 2024.

Ainda de acordo com a investigação, Brião devolvia por vezes valores às vítimas quando elas solicitavam saques, de forma a manter a farsa de um fundo em funcionamento. As quantias retornadas, no entanto, correspondiam apenas a uma pequena fração do total já subtraído.

Outra medida apontada pela promotoria como artifício para enganar suas vítimas era a apresentação periódica de tabelas e extratos em que os valores depositados apareciam com rendimentos exorbitantes, muito acima dos normalmente registrados nos investimentos em criptoativos.

No final de 2022, os relatórios e os saques pararam. A promotoria diz que o acusado passou então a apresentar desculpas e, poucos meses depois, desapareceu com os valores investidos.

Ostentação entre amigos

Imagens compartilhadas em redes sociais mostram que Brião frequentava festas caras de Florianópolis acompanhado de outros dois moradores da região, Diego Druck e Igor Lopes. Na época, ambos se apresentavam como sócios de Brião. Juntos, circulavam entre pessoas com alto poder aquisitivo e Brião buscava convencê-las a investir em seu falso fundo de criptomoedas.

Matheus Brião de Souza, acusado de estelionato, ao lado de Diego Druk
Matheus Brião de Souza, acusado de estelionato, ao lado de Diego Druck

Segundo a promotoria, não foram encontradas evidências de que a dupla fosse cúmplice no golpe. “Essas duas pessoas, o Diego e o Igor, indicaram outros clientes que fizeram aportes em favor do Matheus. Mas não há nenhum elemento que indique que eles participavam do esquema, que eles tenham se beneficiado ou recebido parte do valor”, afirmou o promotor Mauricio de Oliveira Medina em entrevista à IstoÉ Dinheiro.

Para a defesa de Lopes, representada pelo advogado Eduardo Herculano, “Matheus teria se aproveitado da influência que Igor e outros amigos possuíam, especialmente em Florianópolis, para angariar clientes e desviar milhões de reais das vítimas”. Os advogados de Lopes afirmam ainda que chegaram a protocolar um pedido de prisão preventiva contra Brião.

Já a defesa de Diego Druck afirmou em nota que ele “foi uma dentre as muitas vítimas de Matheus Brião, tendo sofrido um prejuízo significativo. Por um breve período, realizou investimentos e foi iludido a acreditar que Matheus exercia uma atividade lícita, o que o levou a crer que poderiam ser parceiros de negócio. Ao detectar ter sido vítima de um golpe, imediatamente buscou as autoridades, visando à responsabilização de Matheus e a evitar que outras vítimas fossem lesadas”.