O divórcio litigioso entre o Bank of America e seus ex-sócios brasileiros no Banco Liberal foi parar nos tribunais dos Estados Unidos. Depois de um longo inquérito interno, que revirou o Liberal por meio ano e apontou o sumiço de US$ 38 milhões no banco, os americanos entraram na Justiça de Nova York com uma ação contra os ex-controladores e ex-diretores Antônio Carlos Lemgruber, Aldo Floris e Lauro de Luca. Os três, segundo o grupo americano, esconderam do Bank of America até abril de 2001 o desfalque que havia na instituição que conduziam. Os estrangeiros eram sócios do Liberal desde 1997, mas só tomaram posse de 100% do capital no ano passado. Em agosto, descobriram que havia dinheiro de menos em uma subsidiária do banco nas Bahamas, o Liberal Bank Corp. Esse dinheiro, acusam agora, foi desviado para empresas que acreditam ser de Lemgruber. Para Aldo Floris e Lauro de Luca, sobrou a acusação de terem iludido o Bank of America para receber mais dinheiro do que deveriam pela venda do Liberal.

Lemgruber silenciou, mas Aldo Floris partiu para o contra-ataque. Divulgou uma nota dizendo que o desfalque de fato existia, e que, ao ser informado dele, em agosto de 2001, pediu ?providências que nunca foram tomadas?. À época, Floris, ex-presidente e ex-controlador de fato do Liberal, mantinha ainda ligações com o Bank of America como consultor. Declarou-se traído e atribuiu a Lemgruber a culpa pelo desfalque. Mas, quando advogados do banco americano começaram a insinuar que ele também deveria assumir responsabilidade, Floris contratou um escritório de advocacia em Nova York, o Kronish Lieb Weiner & Hellman. Sua intenção, diz, era processar o Bank of America. Mas, na sua versão, os americanos sacaram mais rápido e entraram na Justiça primeiro. Na guerra das indenizações, Floris diz que vai cobrar dos americanos ?o alto custo pela gestão irreverente do patrimônio econômico e moral alheio?.

O Bank of America, por sua vez, já está cobrando de Floris, Luca e Lemgruber ?compensações adicionais não especificadas? pelo que qualifica de ?fraude na compra de parcelas do capital do Liberal?. Pede também os US$ 38 milhões supostamente subtraídos, mas essa parte do caso pesa mais sobre os ombros de Lemgruber, o único acusado abertamente pelo desvio. O banco americano está processando também 13 empresas que, afirma, ficaram com o dinheiro desviado. Uma delas sem dúvida pertence a Lemgruber, a Agropastoril Aventura ? nome jurídico de seu haras de criação de cavalos, conhecido como Rio Aventura. Há ainda na lista de réus uma empresa homônima do exterior, a Rio Aventura Inc, e uma companhia de venda de cavalos que prestava serviços para seu haras, a Santa Escolastica Inc. Processos nos Estados Unidos, entretanto, têm pouca eficácia quando se trata de pedir indenização de brasileiros. O Bank of America, por isso, contratou um escritório do Rio, o Barbosa, Müssnich e Aragão.