12/04/2026 - 10:00
Por R$ 2,9 bilhões, a espanhola Aena (Aeropuertos Españoles y Navegación Aérea) levou o leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, o terceiro mais movimentado do Brasil em volume de passageiros, com 17,8 milhões em 2025, e marcou de vez sua presença no país.
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A concessão do terminal carioca, negociada no dia 7, está prevista para iniciar no segundo semestre deste ano. O Galeão, que também está na terceira posição na movimentação de cargas no Brasil, com 68 mil toneladas entre importações e exportações registradas ano passado, reforça o portfólio da companhia por aqui, que chega a 18 aeroportos no país.
Com isso, a Aena se consolida como a maior rede de aeroportos concedidos no território brasileiro, tendo sob sua gestão 45,6 milhões de embarques e desembarques, 62 milhões de passageiros e 20% do tráfego aéreo nacional.
A espanhola detém o posto de maior operadora aeroportuária do mundo em número de passageiros, perto de 385 milhões ao todo registrados no ano passado. Eles passaram pelos mais de 80 aeroportos, e dois heliportos, sob sua gestão.
A atuação no Brasil teve início em 2020, após arrematar um lote para assumir seis aeroportos na região Nordeste. Sob sua gestão está ainda o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, principal ativo da empresa no país, com movimentação de 24,5 milhões de passageiros em 2025, e de mais de 100 mil pessoas circulando diariamente.
O terminal, que festejou os 90 anos do aeroporto nesta quinta-feira, 9, concentra o principal polo de ponte-aérea, sendo, ao todo, perto de 600 pousos e decolagens por dia. No dia 31 de março, ele se tornou também o primeiro aeroporto do país a contar com uma estação de metrô fisicamente integrada, com a inaguração da linha 17-Ouro, uma obra que custou R$ 5,97 bilhões, pagos pelo governo estadual.
O plano de investimentos da Aena em Congonhas soma R$ 2,6 bilhões, direcionados a um novo terminal, que vai ampliar a capacidade comercial do porto. Quando as obras encerrarem em 2028, terá dobrado sua Área Bruta Locável (ABL) de 10 mil m² para mais de 20 mil m².
A empresa diz em seu site que abrirá o processo de concorrência “nas próximas semanas”. Segundo a Aena, Congonhas possui o metro quadrado com maior volume em vendas do país entre aeroportos domésticos e centros comerciais.

O montante direcionado à Congonhas faz parte de um total de R$ 9,2 bilhões em investimentos anunciados em parceria com o governo federal para melhoria de aeroportos, em especial, os de um bloco formado por 11 deles em quatro estados (SP, MG, PA e MS), arrematado em um leilão promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil – Anac em 2022, e operados pela Aena desde 2023.
No total, o bloco dos 11 receberá R$ 5,7 bilhões. Desses, R$ 4,7 bilhões serão financiados pelo BNDES e R$ 1 bilhão será investido pelo Grupo Santander. Outros R$ 3,1 bilhões serão aportados ao longo do prazo da concessão e irão para o bloco do seis do Nordeste. A expectativa é que as obras também adicionem mais de três mil empregos no mercado.
O balanço da Aena referente a 2025, divulgado em fevereiro, registra desempenho financeiro recorde, o que levou as suas ações a saltarem 16,5%. O lucro líquido reportado pelo grupo foi de 2,4 bilhões de euros, crescimento de 10,5% na comparação anual.
Suspeita de incêndio em Congonhas
A quinta-feira, 9, era para ser de festa no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Isso porque foi programado um evento para a celebração antecipada de 90 anos do complexo, que se completam no domingo, 12. O festejo contou com o anúncio de R$ 2 bilhões em financiamento do BNDES para a concessionária Aena, que administra o aeroporto.
Os recursos garantem a ampliação e modernização de um dos principais hubs do país. Até junho de 2028, está prevista a entrega de um novo terminal, dobrando a área de passageiros de 45 mil m² para 105 mil m². O projeto também inclui 19 novas pontes de embarque (fingers), ampliação do espaço comercial e maior pátio de manobras, prometendo mais eficiência aos mais de 24 milhões de usuários anuais.
O evento foi ofuscado por uma paralisia operacional na mesma manhã. Ela afetou as decolagens não apenas em Congonhas, mas também nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como uma pane de sistema, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, negou falhas tecnológicas e afirmou que as operações foram suspensas por extrema precaução.
O prédio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), gerido pela Força Aérea Brasileira (FAB) e localizado próximo a Congonhas, precisou ser totalmente evacuado após o aparecimento de fumaça no local. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, mencionou também a suspeita de um vazamento de gás na instalação militar.
Segundo a FAB, a interrupção técnica e operacional durou 36 minutos (das 9h30 às 10h06) até a liberação do prédio, mas o efeito cascata suspendeu voos por mais de uma hora. As causas exatas da fumaça seguem em apuração.
A Aena nos aeroportos brasileiros
NORDESTE
Recife (PE)
Maceió (AL)
Aracaju (SE)
João Pessoa (PB)
Juazeiro do Norte (CE)
Campina Grande (PB)
SUDESTE
Congonhas (SP)
Galeão (RJ)
Uberlândia (MG)
Montes Claros (MG)
Uberaba (MG).
CENTRO-OESTE
Campo Grande (MS)
Corumbá (MS)
Ponta Porã (MS)
NORTE
Santarém (PA)
Marabá (PA)
Carajás (PA)
Altamira (PA)
E no mundo
• 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha.
• 51% do Aeroporto de Luton, em Londres
• 51% na nova holding que controla e opera 100% do Aeroporto de Leeds Bradford (Inglaterra)
• 49% do Aeroporto de Newcastle (Inglaterra)
• 12 aeroportos no México
• 2 aeroportos na Jamaica
