24/12/2008 - 8:00
O final de ano está aí ? e com ele vem o temor de um novo apagão aéreo nos aeroportos brasileiros. Áreas de embarque abarrotadas, filas intermináveis, vôos atrasados, bagagens extraviadas ? enfim, todas as cenas que o Brasil conhece, de perto ou pela televisão. O que fazer? Uma resposta pode ser vista no Aeroporto de Heathrow, em Londres, um dos maiores hubs do mundo. Lá, desde maio deste ano, funciona um dos mais modernos (senão o mais moderno) terminais aeroviários do planeta. Praticamente 100% do check-in é feito online, seja pelo site da British Airways, seja em quiosques espalhados pelos terminais exclusivos para este fim. Com ele, a companhia aérea, a única a operar no local, pode implantar o conceito Ready to Fly (ou Pronto para Voar), em que o passageiro pode chegar até 35 minutos antes de seu vôo sem receio de perder o avião. Hoje, entre a chegada ao aeroporto e o ingresso na área de embarque, o sujeito não leva mais de 20 minutos, contra até duas horas gastas antes da inauguração do Terminal 5.
Uma visita ao terminal surpreende pelo arrojo das formas do edifício e pela amplidão do saguão. Trata-se do maior prédio do Reino Unido. Inteiramente envidraçado, suas estruturas metálicas aparentes foram inspiradas no mecanismo do trem de pouso de aviões. Para erguê-lo, a BAA, a administradora britânica de aeroportos, desembolsou algo em torno de US$ 6 bilhões. A qualquer hora do dia, o local parece apenas parcialmente ocupado, embora, em média, 60 mil a 70 mil pessoas circulem por ali diariamente. As únicas filas visíveis encontram-se à frente do balcão de pagamento por excesso de bagagem e no guichê para tax refund (a devolução de impostos para estrangeiros). O segredo, segundo Richard Goodfellow, gerente da British Airways, reside nos 96 quiosques destinados exclusivamente para check-in. Ali os passageiros digitam os dados do e-ticket, escolhem a poltrona e imprimem o cartão de embarque. A seguir, caminham alguns passos até os balcões de recebimento de bagagem, nos quais funcionários etiquetam as malas e as colocam numa pequena esteira ? e aí começa a verdadeira revolução do Terminal 5 do Aeroporto de Heathrow.
As malas entram em um pequeno elevador e descem para o subterrâneo, três andares abaixo do nível do solo. Ali se encontra o emaranhado de esteiras que, nos aeroportos tradicionais, estão localizadas atrás dos balcões de checkin. A malha do Terminal 5 não é visível para os passageiros. Leitores ópticos identificam o destino da bagagem e a direcionam para o local de recolhimento para o embarque. Um sistema, batizado de fast track, permite que malas com prazo crítico de entrega sejam deslocadas para uma rota prioritária. A malha de esteiras é tão importante para a logística de operação da British Airways que John Lampl, vice-presidente da companhia para as Américas, chama o terminal ?de um sistema de bagagem envolvido por um edifício?. ?Os extravios praticamente foram zerados?, garante Lampl. O sistema também abriu novas perspectivas de negócios para a empresa. ?Antes, evitávamos fazer promoção e divulgação para que os clientes fizessem do Heathrow sua conexão para outras cidades da Europa, pois isso provocava transtornos, como perdas de malas e atrasos de vôos?, afirma Lampl. Com a inauguração do Terminal 5, a British Airways concentrou nele toda sua operação, antes dividida entre dois outros terminais.
Lampl observou um comportamento inesperado dos passageiros no Terminal 5. Em vez de chegar em horários mais próximos dos vôos, eles mantiveram o hábito de se apresentar uma ou duas horas antes. Eles dedicam o tempo de sobra às compras ou desfrutam os três lounges da British Airways para clientes da classe executiva e da primeira classe. São 112 lojas de grifes como Prada, Gucci e Bulgari. Na entrada da área vip, um imenso painel eletrônico informa os horários de diversas regiões do mundo, identificadas por pontos turísticos e históricos conhecidos, como lagos, museus, torres, monumentos, entre outros. Não serve para muita coisa, mas é elegante e agradável de se observar. Os clientes da primeira classe têm direito a um spa, assim como dormitórios privativos para que os passageiros em conexão de viagens de longa duração tomem uma ducha ou durmam algumas horas antes de embarcar novamente. O Concorde é uma lembrança recorrente na decoração ? um dos lounges, inclusive, chamase Concorde Room. Os grafismos dos tecidos que estampam as poltronas remetem ao design da aeronave. Em uma das salas de reunião, disponível para os clientes, as poltronas em torno da mesa foram retiradas de um Concorde e até os cintos de segurança foram mantidos. A presença das cadeiras da lendária aeronave em pleno Terminal 5 é uma mensagem de um passado glamouroso com a perspectiva de um futuro requintado.