04/12/2014 - 19:56
O novo presidente afegão, Ashraf Ghani, afirmou nesta quinta-feira esperar que seu país nunca mais precise de tropas estrangeiras, durante uma entrevista em Londres após receber a bênção de seus aliados.
“Em nossa longa história, tivemos a necessidade de apoio militar direto nos últimos 30 anos. Esperamos não precisar mais disto”, disse ao final da entrevista.
“O mundo não é responsável pelo que acontece no Afeganistão. Somos nós os responsáveis”, acrescentou em declaração à imprensa, acompanhado do primeiro-ministro britânico David Cameron.
Ghani participou deste encontro ao lado do chefe executivo, Abdullah Abdullah. Os dois apresentaram seus planos para melhorar o país a representantes de 59 países, dentre eles o secretário de Estado americano, John Kerry, Cameron e seu homólogo paquistanês, Nawaz Sharif.
A reunião constituiu uma demonstração de apoio “à primeira transferência de poderes democrática da história” do Afeganistão, nas palavras de Ghani.
Ao contrário das entrevistas anteriores, esta teve um ar de teste aos dirigentes afegãos após o fim tumultuado da presidência de seu antecessor, Hamid Karzai.
Para superar as acusações de fraude lançadas contra Ghani e Abdullah durante as eleições, optou-se por um modelo de direção bilateral – de unidade nacional – que os levou a Londres.
Kerry elogiou o fato de ambos terem deixado de lado suas diferenças para trabalharem por seu país.
“Confiamos que as políticas apresentadas hoje resultarão em um Afeganistão mais estável e próspero. Este é um momento realmente extraordinário, é um momento de transformação”, disse o secretário de Estado americano.
Sharif, cujo país foi acusado com frequência de desestabilizar o vizinho, anunciou um plano de nove pontos para fortalecer os vínculos econômicos na região e disse que o “Paquistão mantém uma forte solidariedade com o povo afegão”.
Treze anos depois da derrocada do regime Talibã em resposta aos atentados de 2001 nos Estados Unidos, o país continua instável.
“O Afeganistão entra em uma nova fase de sua história, o início de uma década de transformação, em que assumirá as rédeas de sua própria segurança e desenvolvimento”, disse Hammond na abertura da conferência.
“Mas não devemos subestimar a magnitude dos desafios enfrentados nem a necessidade de manter uma forte aliança entre o Afeganistão e a comunidade internacional”.
A OTAN vem retirando todas as suas tropas do território afegão que, no início de 2015, terá apenas 12.500 militares americanos em tarefas de assessoramento e treinamento, número distante dos 130 mil militares estrangeiros que o apoiavam em 2010.
A organização militar, através de seu secretário geral, Jens Stoltenberg, já advertiu que a violência continuará se fazendo presente.
“Os talibãs ainda são capazes de organizar grandes ataques terroristas, mas são menos capazes de conquistar territórios e controlá-los”, disse Stoltenberg na segunda-feira após uma reunião com Ghani em Bruxelas.
As organizações de defesa dos direitos humanos continuam preocupadas com a situação das mulheres e pediram aos participantes da conferência que pressionem Cabul para que proteja seus direitos.
“Sem pressão internacional e ajuda especificamente destinada a acabar com as violações aos direitos, muitos dos progressos logrados nos últimos 13 anos poderão ser desperdiçados”, disse Brad Adams, responsável asiático da organização Human Rights Watch.
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