07/10/2021 - 6:15
O pequeno homem com seu traje de arcebispo tem uma aura e um sorriso que atravessaram as fronteiras da África do Sul: Desmond Tutu, herói da luta contra o Apartheid e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, completa 90 anos, nesta quinta-feira (7), com celebrações na Cidade do Cabo.
Com sua esposa, Leah Tutu, o primeiro arcebispo anglicano negro do país comparecerá a um serviço religioso na catedral de São Jorge, onde pregou durante muito tempo.
A Fundação também organiza uma conferência on-line com o dalai lama; a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson; a ativista dos direitos humanos Graça Machel; e a ex-mediadora sul-africana Thuli Madonsela, que denunciou a corrupção de Estado.
Ao destacar sua “honestidade, integridade e coragem”, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, elogiou Tutu em um comunicado: “Durante quase três décadas, você tem sido a voz da consciência, nos guiando e incentivando a fazer o melhor por nosso povo”.
“Uma chuva de amor e de bons desejos por parte de indivíduos e organizações de todo mundo se derrama sobre a Cidade do Cabo às vésperas do 90º aniversário do arcebispo Desmond Tutu”, agradeceu a Fundação Tutu, em um comunicado.
– Nação arco-íris –
Voz dos sul-africanos negros na luta contra o regime racista branco, que foi expulso do poder pela democracia há quase 30 anos, Desmond Tutu falou pouco em público nos últimos tempos.
O idoso luta contra um câncer de próstata há mais de 20 anos e foi hospitalizado em 2019 por uma infecção.
Aposentado desde 2010, sua última aparição pública aconteceu em maio, quando foi vacinado contra a covid-19. De cadeira de rodas, ele sorriu e acenou, mas não falou com os jornalistas.
Incansável defensor dos direitos humanos, Desmond Tutu é uma pessoa próxima do ícone Nelson Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul. Recebeu o Nobel da Paz em 1984 por seu compromisso contra o Apartheid, abolido em 1994.
A influência de Tutu nas instituições anglicanas levou a um processo de reconciliação. Ele batizou seu país como nome de “nação arco-íris”, profundamente convencido de que a experiência sul-africana poderia ajudar o restante do mundo a compreender como superar os conflitos.
Sua obsessão pelo perdão é, no entanto, criticada por uma nova geração de sul-africanos. Para eles, a população negra fez muitas concessões na transição para a democracia e não exigiu uma prestação de contas suficiente.
Ainda assim, todos parecem reconhecer o trabalho de Tutu, que seguiu denunciando falhas e injustiças. Atacou a homofobia, desafiou Mandela sobre a generosidade do salário de seus ministros e criticou, de maneira veemente, a corrupção durante a presidência de Jacob Zuma.