Elifas Gurgel caiu da Anatel. Neste sábado 5, termina seu mandato. Por pressão direta do ministro das Comunicações Hélio Costa, o presidente Lula decidiu não reconduzi-lo ao cargo. Ele foi o terceiro presidente da agência em três anos de governo. Recentemente, Costa emitiu sinais de que desejava colocar no lugar um homem de sua confiança. Gurgel, indicado pelo ex-ministro Eunício Oliveira, lutou para ficar. ?Gostaria de continuar?, confessou à DINHEIRO. Pediu apoio aos senadores José Sarney e Renan Calheiros. Costa fechou aliança com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e venceu. Mas por que, afinal, Hélio Costa exigiu a cabeça de Gurgel? ?Nem eu entendi?, responde o próprio decapitado. ?Eu o procurei, me coloquei à disposição, fiz uma excelente gestão, mas o ministro não quis compor?. Hélio Costa tem outra versão. ?O Elifas é fraco?, explica. ?Deixou o Conselho da Anatel se dividir e virou joguete na mão dos dois grupos?. Na terça-feira 8, Costa tem encontro com Lula para decidir quem será o presidente da Anatel. O principal nome na bolsa de apostas é o de Antônio Bedran, consultor jurídico da agência e amigo do ministro. ?Não está decidido?, desconversa Costa. ?Vocês podem ter uma surpresa?.

?Se for para esse Bedran assumir, é melhor fechar a agência?, protesta o presidente da Federação dos Trabalhadores em Telecomunicações, José Zunga. ?Ele defende as operadoras e não tem compromisso com a população?. Há quinze dias, Lula recebeu Zunga em seu gabinete para discutir a saída de Gurgel. Zunga tem força efetiva com Lula. Foi ele quem indicou o antecessor de Gurgel, Pedro Ziller. Desta vez, Zunga faz lobby pelo petista Jarbas Valente, atual superintendente de Serviços Privados da Anatel. Já a bancada do PMDB tenta emplacar o ex-ministro Paulo Lustosa. Qualquer que seja o escolhido, terá pela frente uma tarefa delicada. Há três anos a Anatel é uma agência dividida por frutricas internas. De um lado, estão dois conselheiros herdados do governo FHC, Luiz Alberto da Silva e José Leite Pereira. De outro, dois conselheiros ligados ao PT, Pedro Ziller e Plínio de Aguiar. Gurgel tentou compor com os dois grupos. Costa avaliou que não poderia contar com ele nos momentos de aperto.

Nos últimos dias, Costa e Gurgel entraram em pugilato público por conta do telefone social. E a maior briga ainda estaria por vir. Nos próximos dias, Costa inicia o processo de implantação da TV Digital no Brasil, que vair girar R$ 10 bilhões em investimentos privados. Briga que o ministro nem cogita perder.