05/02/2015 - 12:34
A Al-Qaeda no Iêmen anunciou nesta quinta-feira a morte de um de seus líderes, Hareth al-Nadhari, e de três de seus membros em um ataque de drone americano no final de janeiro.
Este foi um dos três ataques com drones visando a Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP) segundo uma declaração do presidente americano Barack Obama, de 25 de janeiro, garantindo que a luta contra esta organização continua a ser prioridade apesar do caos que reina no Iêmen.
Este país, aliado dos Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda, está mergulhado em uma profunda crise política que levou o governo e o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi a renunciar sob a pressão de milicianos xiitas, conhecidos como huthis, que controlam a capital Sanaa.
AQAP é vista por Washington como o ramo mais perigoso da Al-Qaeda. Os Estados Unidos oferecem 45 milhões de dólares de recompensa pela captura de oito líderes do grupo, incluindo seu chefe, o iemenita Nasser al-Wahishi.
Em um comunicado postado na internet, a AQAP anunciou que “o Iêmen sacrificou um grupo de bons muçulmanos em um ataque de drone americano contra o veículo em que estavam em As-Said, na província de Shabwa (sul)”, e identificou os quatro mortos, incluindo Hareth al-Nadhari, apresentado como um dos líderes da sua comissão de jurisprudência.
Em 31 de janeiro, fontes tribais indicaram que quatro membros da Al-Qaeda foram mortos em um ataque de drones, o segundo do tipo em uma semana, após o anúncio pelos Estados Unidos de sua determinação de lutar contra esta rede, apesar do caos político no Iêmen.
O drone visava um carro em que circulavam os quatro membros da AQAP na aldeia de As-Said. Os corpos dos passageiros foram carbonizados.
Hareth al-Nadhari, grande conhecedor da sharia, a lei islâmica, apareceu em um vídeo divulgado em 10 de janeiro ameaçando a França com novos ataques, após o atentado contra a revista satírica Charlie Hebdo, cometido três dias antes.
No entanto, ele não reivindicou em nome da organização o ataque contra a Charlie Hebdo, o foi feito quatro dias depois por outro líder da AQAP, Nasser bin Ali al-Anassi.
Em seu comunicado divulgado nesta quinta, a AQAP acusa os milicianos xiitas de colaborar com os Estados Unidos para atacar seus homens no Iêmen.
“Deve-se notar que o ataque de 31 de janeiro foi o segundo em cinco dias e foi realizado após a operação que permitiu os huthis assumir os assuntos do país sob os auspícios dos americanos e com a cumplicidade de (países) na região”, escreveu a organização extremista.
Este ataque também foi seguido de “declarações de autoridades americanas sobre o reforço da cooperação em inteligência na luta contra o terrorismo com os huthis, que se tornaram parceiros dos Estados Unidos para proteger seus interesses e realizar seus planos na Península Arábica”, acrescentou a AQAP.
As autoridades americanas nunca evocaram publicamente uma colaboração com os huthis na luta contra a Al-Qaeda, mas não fechou a porta para contatos políticos com a milícia xiita.
A AQAP reiterou em seu comunicado sua intenção de continuar a atacar os “inimigos de Deus: os americanos que são cruzados e os huthis que são apóstatas”.
A Al-Qaeda no Iêmen aumentou seus ataques contra os huthis desde a entrada destes em Sanaa, em 21 de setembro.