30/06/2001 - 7:00
As principais jóias da coroa paulista estão na mira do governador Geraldo Alckmin. Ele quer vender à iniciativa privada 49% das ações do banco Nossa Caixa e mais de 20% da Sabesp, a empresa de saneamento estadual. A manobra de Alckmin pretende engordar o já farto caixa paulista, composto por R$ 4 bilhões, resultado do esforço fiscal encabeçado pelo falecido governador Mário Covas nos seus sete anos de administração. O número mágico de Alckmin é R$ 7 bilhões, recursos previstos para investimentos para 2001, que podem transformar São Paulo no maior canteiro de obras do País. A construção do Rodoanel, a expansão do metrô paulistano e a despoluição do Rio Pinheiros vão demandar bilhões de reais do Tesouro estadual. Tudo isso estará exposto na vitrine eleitoral de 2002. As pesquisas revelam que o governador já tem 27% das intenções de voto para a sucessão paulista.
A maior tacada virá da Nossa Caixa, que deverá gerar cerca de R$ 800 milhões para o Tesouro paulista, numa venda pulverizada das ações da empresa. Uma remodelação vai mudar a estrutura do banco, que rendeu R$ 180 milhões em dividendos ao Estado. A instituição vai criar sete subsidiárias, onde serão comercializados novos produtos, como administração de recursos de terceiros, previdência privada, capitalização, seguros, leasing e cartão de crédito, além de uma financeira. Esse modelo prevê a venda de 51% de cada subsidiária para um sócio privado, com o que o governo paulista pretende alavancar o patrimônio do banco de R$ 26 bilhões para R$ 35 bilhões em cinco anos. ?Vamos vender o direito de explorar a carteira de clientes e a estrutura física das agências? diz o presidente da instituição, Geraldo Gardenali. Ele calcula que cada subsidiária custará de R$ 200 milhões a R$ 400 milhões. O mercado vê as parcerias como a parte mais interessante do negócio. A compra de 49% das ações do banco inspira dúvidas nos investidores, que se tornariam minoritários do Estado. ?Só irá comprar essas ações quem estiver de olho numa futura privatização?, diz Erivelto Rodrigues, da Austin Asis. A venda total do banco é o grande temor dos funcionários da instituição, idéia que Gardenali refuta. Ele lembra que o banco herdará as contas do funcionalismo paulista, migradas do Banespa para o Santander.
Por pouco, a Cesp Paraná não entrou no rolo compressor de Alckmin. A privatização da geradora de energia, coordenada pelo próprio governador e que injetaria R$ 1 bilhão nos cofres estaduais, foi suspensa por decisão judicial. ?A Nossa Caixa apareceu como um plano B, pois o projeto foi votado na Assembléia com uma rapidez que nunca vi?, diz Carlinhos de Almeida, líder do PT na Assembléia Legislativa. Alckmin tem outras razões para privatizar. A crise energética e a desaceleração da economia brasileira poderão estagnar o crescimento da arrecadação estadual no segundo semestre de 2001, contra um aumento de 8% nos primeiros seis meses, segundo Clóvis Panzarini, coordenador da Administração Tributária do Estado. Nem o governo acredita mais nos R$ 7 bilhões antes alardeados.