A grande maioria dos países expressou nesta segunda-feira satisfação com a morte de Osama Bin Laden, ocorrida durante uma operação americana no Paquistão. No entanto, advertiram que o fato não representa o final da Al-Qaeda nem do terrorismo e afirmaram não descartar represálias.

“A justiça foi feita”, afirmou o presidente americano Barack Obama ao anunciar a morte do “terrorista responsável pelo assassinato de milhares de inocentes”. O democrata, no entanto, pediu para que todos permaneçam “em alerta”, porque “não há dúvidas” de que a Al-Qaeda continua uma ameaça para os Estados Unidos.

Para o seu antecessor, George W. Bush, o ocorrido é uma “vitória para os Estados Unidos, para os povos ávidos de paz”, enquanto o secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse estar “imensamente orgulhoso de todos os que estiveram envolvidos na vitoriosa operação”.

A secretária de Estado Hillary Clinton instou os talibãs afegãos a abandonar a rede Al-Qaeda. “Não esperem que saiamos, não poderão nos vencer, mas podem optar por abandonar a Al-Qaeda e participar de um processo político pacífico”, disse.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que a morte de Bin Laden é “um momento decisivo” na luta global contra o terrorismo.

A Espanha, atingida duramente por ataques da Al-Qaeda em 2004 que deixaram 191 mortos e mais de 2 mil feridos, manifestou satisfação.

O Paquistão, por sua vez, qualificou a operação de “grande vitória” contra o terrorismo, enquanto seu vizinho Afeganistão estimou que Bin Laden “pagou por seus atos”, aproveitando, como a Índia, para ressaltar que o líder da Al-Qaeda encontrava-se no Paquistão, não em seu território.

A Grã-Bretanha, atingida em 2005 por atentados sangrentos vinculados à Al-Qaeda, estimou que o anúncio constitui um “grande alívio para os povos do mundo”, mas advertiu que esta morte “naturalmente, não significa o final da ameaça do terrorismo extremista que enfrentamos”.

A Interpol, organização policial de cooperação internacional, advertiu nesta segunda-feira para a possibilidade de “uma ameaça terrorista maior”, após a morte de Bin Laden.

A França saudou a “tenacidade dos Estados Unidos”, enquanto a Alemanha considerou a notícia “uma vitória das forças de paz”. Já o chefe de Governo italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que foi “um grande resultado na luta contra o mal”. A União Europeia estima que a a morte de Bin Laden tornará o “mundo mais seguro”.

A Rússia saudou este “importante êxito dos Estados Unidos”. Também o fez a Turquia, país laico de maioria muçulmana.

Israel, um dos mais fiéis aliados dos Estados Unidos, aplaudiu “esta vitória da justiça, da liberdade e dos valores comuns dos países democráticos de combaterem juntos o terrorismo”, mas advertiu que as redes vinculadas a Al-Qaeda unirão “um máximo de esforços para tentarem cometer um enorme atentado”.

Pelo contrário, o movimento extremista palestino Hamas, instalado na Faixa de Gaza, condenou “o assassinato de qualquer mujahedin (combatente islâmico) e de qualquer outro indivíduo, muçulmano ou árabe”, e pediu a Deus “que lhe conceda a sua misericórdia”.

O Iraque, por sua vez, afirmou estar “muito feliz” e o Iêmen espera que a morte do líder da Al-Qaeda seja “o começo do fim do terrorismo”.

O Irã considerou que a morte de Bin Laden tira dos Estados Unidos e seus aliados “qualquer desculpa para manter suas forças de segurança no Oriente Médio com o pretexto de lutar contra o terrorismo”.

O Quênia, cenário em 1998 de um sangrento atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, acredita que foi feita justiça.

Outros países, como Austrália, Nova Zelândia, Japão e Canadá, felicitaram os Estados Unidos pela morte do fundador e líder da Al-Qaeda.

O Equador não celebrou a morte do líder da Al-Qaeda e afirmou que a reação americana foi “desproporcionada”. O Brasil, por sua vez, expressou sua preocupação com possíveis represálias.

México, Chile e Colômbia felicitaram os Estados Unidos por sua operação, e o Peru afirmou inclusive que a morte de Bin Laden é o primeiro milagre do recém-beatificado Papa João Paulo II.

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