O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, falou nesta quinta-feira dos possíveis riscos de armar a Ucrânia, no momento em que cresce em Washington o apoio para se enviar equipamento militar letal a Kiev.

“Entendo que muitos de vocês estejam pedindo uma solução mais rápida, portanto mais determinada, portanto militar”, afirmou Steinmeier, em um evento no Center for Strategic and International Studies (CSIS), um prestigioso think tank situado em Washington.

Mas, alertou o ministro, fornecer ajuda militar letal a Kiev pode “levar o conflito para um outro nível” e deflagrar uma “escalada perigosa e permanente” entre Ucrânia e Rússia.

“Isso não é do interesse de ninguém”, frisou.

A visita do ministro alemão acontece em um contexto de grande pressão política doméstica para o presidente Barack Obama – por parte dos “falcões” do Congresso e até mesmo de dentro do próprio governo – para que ele forneça equipamentos ao obsoleto Exército ucraniano.

O novo secretário americano da Defesa, Ashton Carter, disse ao Senado, durante a audiência para sua confirmação no cargo em fevereiro, que estava “bastante inclinado” a fornecer armas para Kiev.

Na semana passada, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey, sugeriu que “deveríamos considerar, totalmente, a ajuda letal, e isso deveria se dar no contexto dos aliados da Otan”.

A Alemanha e outros países europeus defendem que equipar o Exército ucraniano não compensará a vantagem das forças separatistas, supostamente apoiadas por Moscou. Teme-se, pelo contrário, a intensificação de um conflito que já deixou mais de seis mil mortos desde abril passado.

Na quarta-feira, a Casa Branca também minimizou a ideia de assistência militar letal, alegando que a medida poderia levar a “um derramamento de sangue ainda maior”.

Nesta quinta, o ministro Steinmeier também criticou os senadores republicanos pelo envio de uma carta aberta ao Irã sobre as negociações nucleares.

“Isso não é apenas um assunto de política americana. Afeta as negociações que estamos tendo em Genebra”, disse Steinmeier, em conversa com jornalistas antes de um encontro com congressistas no Capitólio.

“Obviamente, a desconfiança está crescendo […] na parte iraniana sobre se somos realmente sérios nas negociações”, advertiu.

O ministro alemão deve se reunir com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker, e com o líder democrata, senador Robert Menendez.

Em uma carta aberta “aos dirigentes da República Islâmica do Irã”, quase todos os senadores republicanos, 47 de um total de 54, alertaram que acertos com o presidente Barack Obama podem não ser honrados no futuro.

No texto, eles lembram que apenas o Congresso – hoje com maioria republicana em ambas as Casas – tem o poder de suspender de forma definitiva as sanções contra Teerã.

Ressaltam também que “o próximo presidente pode revogar com uma canetada esse tipo de acordo, e os futuros membros do Congresso podem modificar os termos a qualquer momento”.