14/02/2026 - 16:17
Usado em missões de combate, reconhecimento e apoio logístico, Linza 3.0 pode transportar até 2 kg – inclusive bombas e granadas. Expectativa é produzir 10 mil aparelhos até o final do ano.De passagem pela Alemanha para participar da Conferência de Segurança de Munique, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski recebeu nesta sexta-feira (13/02) o primeiro drone de fabricação teuto-ucraniana, parte de uma iniciativa para abastecer seus soldados com 10 mil desses equipamentos por ano.
A produção do Linza 3.0 está a cargo da Quantum Frontline Industries, uma joint venture entre a alemã Quantum Systems e a ucraniana Frontline Robotics. A localização exata da fábrica, que fica nos arredores de Munique, é mantida em segredo.
“É ótimo que tenhamos a primeira produção, grande coprodução [ucraniana de armas] na Europa”, disse Zelenski. “Temos hoje, penso eu, um grande resultado.”
“Estamos ajudando a Ucrânia em sua luta”, afirmou o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius. “Mas nós também estamos nos beneficiando”, admitiu, referindo-se à experiência adquirida pela Ucrânia com drones ao longo da guerra com a Rússia. Os aparelhos se revelaram essenciais no conflito.
O Linza é um modelo desenvolvido pela Frontline Robotics e agora licenciado para produção conjunta com a Quantum Systems. Já a empresa alemã fornece desde 2022 drones espiões à Ucrânia, e contabiliza 1.500 equipamentos atualmente em uso pelas Forças Armadas do país.
A aposta numa linha de produção na Alemanha foi uma decisão estratégica, visando poupá-la de ataques russos e, assim, permitir a fabricação de mais aparelhos.
Os modelos também estão sendo fabricados na Ucrânia, e atualmente há 60 Linza 3.0 nas mãos do exército ucraniano.
O Linza é um drone de transporte, mas pode ser usado como arma, já que tem capacidade para carregar até dois quilos de carga – inclusive bombas e granadas. Atualmente, ele já é usado pela defesa ucraniana em missões de combate, reconhecimento e apoio logístico.
Alemanha aposta em desenvolvimento de drones
Segundo Pistorius, a joint venture teuto-ucraniana é uma dentre diversas parcerias planejadas entre a Ucrânia e países da Otan.
A empresa de software Auterion, por exemplo, que opera nos Estados Unidos e em Munique, também planeja produzir drones em cooperação com a firma ucraniana Airlogix.
Berlim tem procurado reforçar o seu desenvolvimento de drones para as Forças Armadas alemãs e celebrou recentemente contratos com as empresas Helsing, com sede em Munique e especialista em inteligência artificial, e com a Stark Defence. Os contratos podem chegar a 600 milhões de euros.
Contudo, partidos da oposição alemães como Os Verdes têm criticado o envolvimento da Stark Defence, que tem como um dos seus investidores Peter Thiel, um empresário próximo do presidente americano Donald Trump.
ra (DW, Lusa, AFP)