09/02/2001 - 8:00
A idéia pode até provocar arrepios nos ativistas verdes, mas, queiram ou não, a engenharia genética está ocupando os laboratórios da principal empresa de pesquisa agropecuária do Brasil, a Embrapa. De alfaces medicinais a superfeijões, os pesquisadores estão avançando nas descobertas a partir da manipulação de genes. Para serem comercializadas, as descobertas só esperam a liberação pela Justiça de alimentos geneticamente modificados no Brasil.
?A engenharia genética é uma das prioridades da Embrapa. O Brasil não pode ficar para trás nessa área?, diz o presidente da empresa, Alberto Duque Portugal. Um das estratégias da Embrapa é fazer parcerias com universidades e companhias internacionais para avançar nas pesquisas. Além da Monsanto, com quem tem uma aliança na área de transgênicos de soja, a Embrapa está em negociações com Aventis e DuPont.
Um dos estudos em andamento na Embrapa Recursos Genéticos, uma das 40 unidades da empresa, tenta fazer com que alimentos já contenham vacinas contra doenças. Os pesquisadores estão desenvolvendo, por exemplo, uma alface que tem em seu genoma uma proteína que torna as pessoas imunes a leishmaniose, doença causadora de lesões na pele. Em 1999, mais de 35 mil casos da doença foram registrados no País. Os pesquisadores também estão trabalhando em torno de um feijão que, por conter um gene da castanha-do-pará, pode evitar má formação de cérebro de recém-nascidos.
Outra frente da Embrapa nos próximos meses será o seqüenciamento de raízes de plantas, para descobertas de genes resistentes a pragas e até a seca. O esforço será possível com novas máquinas avançadas adquiridas pela empresa. Com essas informações, os pesquisadores poderão tentar encontrar genes importantes em outras espécies no banco genético da empresa. ?Os avanços genéticos estão caminhando rapidamente?, diz Luiz Antonio Barreto de Castro, chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos.