18/02/2023 - 9:45
Os aliados ocidentais de Kiev exigiram dar à Ucrânia a ajuda necessária em seu conflito contra a Rússia, e o chefe da Otan alertou sobre o risco de uma vitória de Moscou, poucos dias antes do primeiro aniversário do início do conflito.
Os líderes mundiais estão reunidos na Conferência de Segurança de Munique, quase um ano depois que Moscou iniciou sua invasão da ex-república soviética, em 24 de fevereiro de 2022.
A reunião contou com a presença de dezenas de autoridades internacionais, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, o chefe de governo alemão, Olaf Scholz, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.
Os aliados, liderados pelos Estados Unidos, doaram bilhões de dólares em armas ao governo ucraniano, incluindo artilharia e sistemas de defesa aérea, mas o governo de Kiev diz que precisa de mais para que sua contraofensiva tenha sucesso.
No segundo dia da conferência de Munique, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, fez um apelo para mais apoio militar a Kiev, afirmando que esta será a única forma de travar os avanços da Rússia liderada pelo presidente Vladimir Putin.
“Devemos dar à Ucrânia o que ela precisa para vencer e prevalecer como uma nação soberana e independente na Europa”, disse ele.
“O maior risco de todos é que Putin vença. Se Putin vencer na Ucrânia, a mensagem para ele e outros líderes autoritários será que eles podem usar a força para conseguir o que quiserem”, disse ele.
O Kremlin mobiliza “centenas de milhares de soldados” e obtém “mais armas de países autoritários, como Irã e Coreia do Norte”, enfatizou Stoltenberg.
Neste sábado, Antony Blinken também deve fazer um discurso na capital bávara. Também está agendada para este segundo dia uma reunião dos chanceleres do G7.
– Redobrar o apoio –
A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também pediu o aumento do apoio militar à Ucrânia, em áreas como o abastecimento de munições.
“Devemos redobrar e continuar com o apoio massivo necessário”, disse ela.
Na abertura da conferência, na sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu aos aliados que intensifiquem sua ajuda, em uma mensagem de vídeo.
No mês passado, a Alemanha concordou em entregar tanques pesados de fabricação alemã para a Ucrânia, depois de semanas debatendo se deveria ou não fazê-lo. Com esses tanques, as forças ucranianas poderiam repelir o avanço dos russos.
No entanto, as negociações subsequentes com os parceiros da Otan ainda não reuniram tropas suficientes para formar um batalhão completo. Nas últimas semanas, Zelensky exigiu aviões de combate dos ocidentais, ideia que, por enquanto, seus interlocutores rejeitaram.
Stoltenberg também alertou que a invasão russa destacou o perigo de, segundo ele, os países europeus terem “confiança excessiva” em regimes autoritários.
“Não devemos cometer o mesmo erro com a China e outros regimes autoritários”, declarou o chefe da Otan.
A guerra na Ucrânia reforçou os temores dos ocidentais de que a China lançaria um movimento semelhante ao da Rússia em Taiwan, uma ilha autônoma que Pequim reivindica como parte de seu território.
No terreno, as forças russas afirmaram na sexta-feira ter feito algum progresso em sua ofensiva. O grupo paramilitar Wagner anunciou a conquista de uma cidade perto de Bakhmut, no leste da Ucrânia, palco de uma das mais longas e sangrentas batalhas do conflito.
Neste sábado, o exército russo reivindicou a captura de uma cidade na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, onde suas tropas estão na ofensiva há várias semanas.
