27/03/2002 - 7:00
Pense em uma licitação de transporte. A Alstom estará lá. Uma obra pública de energia? Mais uma vez, a gigante francesa aparecerá na lista. E mais importante que isso: despontará como a vencedora. Desde que entrou no País, se fundindo com uma série de empresas nacionais ? entre elas, fabricantes de equipamentos pesados como ABB, Reatores ER e Ansaldo Coemsa ?, a Alstom não perdeu uma. É ela quem está fabricando as turbinas de Itaipu e Tucuruí, construindo as termoelétricas do Rio, Paraná, Bahia e São Paulo, responsável pela linha 5 do Metrô de São Paulo, fornecendo equipamentos para as linhas do Rio e Fortaleza e até se aventurando em licitações na Argentina e Estados Unidos. De obra em obra, a subsidiária nacional da Alstom tem volume de contratos fechados de 1,8 bilhão de euros. ?Equivale a três anos de trabalho?, comemora o presidente da subsidiária brasileira, José Luiz Alquéres, ex-Eletrobrás. Os concorrentes não escondem certa desconfiança. ?Basta olhar para o board da empresa?, diz um concorrente, referindo-se ao fato de os principais executivos terem bom trânsito no governo. ?O ponto forte da Alstom é a influência política.?
O Brasil já é hoje o sexto país mais importante para a companhia francesa nos 70 países em que opera. A posição é confortável. Tanto que, por aqui, o anúncio da reestruturação do grupo francês ? que tem vendas anuais de 22 bilhões de euros ? passou incólume. Há uma semana, o presidente mundial da Alstom, Pierre Bilger, lançou o Plano Renovação. Trata-se de uma rearrumação na casa. E de corte de custos, é claro. Em 2001, a Alstom somou dívidas de 4,5 bilhões de euros. A ordem é focar em áreas essenciais como energia e transportes.
E se livrar de negócios como automação e navios.
O que isso muda no Brasil? ?Muito pouco?, diz Alquéres. ?No último ano fiscal, nossa margem operacional foi o dobro da registrada no grupo.? Neste balanço, que deve ser apresentado em abril, a subsidiária não deve fazer feio. As receitas devem subir 15%. Com a crise energética ? que trouxe prejuízos estimados de US$ 20 bilhões ao País ? a Alstom se deu bem. No segundo semestre, a empresa fechou contratos de R$ 2 bilhões para fornecimento de turbinas. Não há notícia melhor para a Alstom do que uma nova licitação.