27/07/2004 - 7:00
O valor a ser gasto é de R$ 16 milhões. As plantas de arquitetura já estão prontas e tem até um grupo de 20 empresários, todos com negócios com o governo, ansiosos para pagar a conta. Nesta segunda-feira 26, depois que o presidente Lula embarcar para a África, uma comitiva de engenheiros inicia a reforma completa do Palácio da Alvorada. Quando Lula voltar, terá que se mudar com a família para a Granja do Torto ? e deve permanecer por lá até a Semana Santa de 2005. O Alvorada, com seus 10 mil metros quadrados de área interna e outros 7,9 mil metros quadrados de anexos, será interditado. Cerca de 80% das instalações hidráulicas, corroídas por 44 anos de uso contínuo, serão trocadas por encanamentos de cobre. Equipamentos especiais terão de ser usados para não comprometer os mármores originais das paredes nem as ferragens das lajes construídas em balanço, seguindo o projeto de Oscar Niemeyer. Nesse item, as obras consumirão cerca de R$ 1 milhão. A rede elétrica também será substituída. E lá se vão outros R$ 800 mil. Os atuais elevadores vão virar peças de museu ? é o que já são, pois quase não há peças de reposição. Mais R$ 400 mil. Todo o sistema de irrigação dos jardins será substituído, por R$ 150 mil. O mais caro será a instalação de um sistema de ar condicionado central. Há um problema nos salões de recepção. No principal, capaz de receber 150 convidados sentados, em dias ensolarados a temperatura interna chega a 35º. Já foi projetado um sistema de refrigeração sob medida: R$ 2,5 milhões. As obras de engenharia somam perto de R$ 5 milhões. O presidente Lula pretende gastar os demais R$ 11 milhões em móveis, sistemas de vigilância e informática para tornar o Alvorada um edifício inteligente.
No mercado brasileiro, uma construção residencial de alto padrão custa entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil o metro quadrado. A rigor, os R$ 16 milhões orçados pelo governo dariam para construir um palácio novo. Mas se trata de um prédio tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, com valor incalculável. Os engenheiros terão de tomar cuidado redobrado. Estragos aumentam o custo de qualquer obra em pelo menos 30%. ?Problemas costumam aparecer durante as reformas?, diz o empreiteiro Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil. ?Aposto que esse orçamento vai estourar.? Os empresários estão dispostos a pagar a conta. No início de junho, o presidente Lula convidou 13 deles para jantar no palácio. Apareceram, por exemplo, os empreiteiros Emilio Odebrecht e Sérgio Andrade. Também foram Jorge Gerdau e Abílio Diniz. Ao final do jantar, Lula os levou para um tour pelas ruínas do palácio. Mostrou goteiras, mofos e rachaduras. Contou que dias antes ficara no completo escuro por conta de um curto-circuito e sem água em razão de canos estourados. Na saída do jardim, mostrou um lambri de madeiras nobres corroído pelo clima seco do cerrado. Todos eles se prontificaram a rachar a conta da reforma. Foi designado o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base, Ralph Lima Terra, para coordenar o trabalho. ?Queremos abater os gastos do Imposto de Renda?, diz Terra. ![]()



