12/02/2026 - 15:57
A diretoria da Ambev atribuiu às mudanças climáticas uma queda acumulada de 4,5% no volume total de vendas da categoria cervejas em 2025. “Foi a primeira ocasião em que vimos um impacto dessa dimensão no setor”, afirmou o CFO da empresa, Guilherme Fleury Parolari.
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“O que nós vimos em 2025 foi um clima desfavorável”, afirmou Fleury. Segundo o executivo, a piora das vendas categoria foi causada “pelo fenômeno La Ninã, que transformou nosso inverno em algo mais longo e mais intenso”
Apesar na queda do volume de vendas, a receita com a categoria permaneceu estável. Um crescimento de 17% na categoria premium e de em torno de 30% na categoria sem álcool teriam atenuado os impactos sobre o faturamento. A receita líquida acumulada no ano foi de R$ 88,2 bilhões, recuo de 1,4% em relação ao ano anterior.
A declaração ocorreu durante teleconferência realizada nesta quinta-feira, 12, para comentários sobre o balanço do quarto trimestre divulgado pela empresa. O CEO da empresa, Carlos Lisboa, também participou do encontro com investidores e destacou uma expectativa de um ano mais positivo em 2026, com mais oportunidades de socialização.
“Estes momentos já começaram: o Carnaval já está acontecendo […] A partir dai, já começamos a nos preparar para a Copa do Mundo da Fifa, a maior edição já realizada, em fusos horários favoráveis para nossos mercados”, disse Lisboa, que destacou também a grande quantidade de feriados prolongados no Brasil.
Recuo nas vendas de cerveja não se restringiu à Ambev
Outras empresas fabricantes de cerveja também sofreram com recuos de vendas globais no ano passado. Na Alemanha, a queda de 6% foi recorde em uma série histórica iniciada em 1993.
Segunda maior cervejaria do mundo — atrás apenas da Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev — a Heineken também sentiu impactos de um consumo menor do produto. Nesta semana, a empresa anunciou 6 mil demissões como forma de acalmar investidores insatisfeitos. Também reajustou para baixo suas expectativas de lucros.
A pesquisa Voice of the Consumer: Health and Nutrition Survey 2025, da Euromonitor, aponta que 53% dos entrevistados globalmente e 56% dos brasileiros afirmam estar tentando diminuir ou parar de beber.
Cervejas core, premium e sem alcool
Em meio aos recuos, a indústria tem investido justamente nos segmentos premium e sem álcool para contornar a crise. O CEO da Ambev acredita que ambos os segmentos contribuem para fazer preços melhores e ampliar margens de lucro da empresa. “Temos ambição de continuar a expandir a margem. Nosso portfólio está mais completo hoje, e nos dá alternativas para avançar com nossa estratégia de gestão de receita para o ano”, disse Carlos Lisboa.
Ao mesmo tempo, Carlos Lisboa demonstra confiança na retomada das cervejas tradicionais, tratadas como o “core” do negócio. “Quando você leva em consideração que a maior parte da população no Brasil ainda depende de um salario mínimo, o core tem um papel muito significativo porque promove acessibilidade”, disse. “Eu continuo a ter meu ponto de vista com relação a sermos uma empresa capaz de gerenciar as duas pontas”, acrescentou.
Lisboa destacou ainda que as marcas que compõe este “core” apresentam uma rotatividade cíclica no país. “Há locais em Brasil que eram da Brahma e hoje são Antártica, outros são Skol.”
