05/05/2026 - 12:08
Com um balanço do 1T26 que surpreendeu positivamente o mercado, a Ambev mostrou que o volume de cervejas classificadas como ‘escolhas balanceadas’ cresceu três dígitos percentuais – sendo o maior crescimento percentual de todo o portfólio da empresa, superando inclusive o premium (que cresceu cerca de 20%). As cervejas tradicionais, por sua vez, caíram um dígito percentual na janela.
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O resultado da Ambev mostra que essa categoria cresceu 70% em volume ante igual etapa do ano anterior. Na prática, as escolhas ‘escolhas balanceadas’ nada mais são do que Cervejas Zero Álcool, Baixas Calorias e Sem Glúten.
Individualmente alguns rótulos mais do que dobraram, como foi o caso da Stella Pure Gold, que saltou 160%. A Michelob Ultra avançou 180% na mesma janela, enquanto a Corona Cero subiu 70%.
Além disso, a companhia reafirma que, segundo seus próprios dados, segue liderando o segmento de cervejas premium – ponto de divergência que tem causado rusgas entre a Ambev e sua principal concorrente do ramo, a Heineken. Nos cálculos da Ambev, uma fatia de 25% do mercado de cervejas já é de rótulos premium.
“Seguimos liderando onde a categoria mais cresce, especialmente no premium, balanced choices e cervejas sem álcool, com ganhos estimados de participação de mercado nesses segmentos no período. Nossas marcas premium e super premium tiveram crescimento de volumes na casa dos 20% baixos, liderado por Stella Artois, Corona e Original. O segmento de balanced choices cresceu na casa dos 70% baixos, com Stella Pure Gold e Michelob Ultra mais do que dobrando de volume, enquanto os volumes de cervejas sem álcool cresceram na casa dos 10% baixos, impulsionados por Corona Cero e pelo lançamento de Skol Zero Zero”, diz a empresa em seu balanço financeiro.
“Nosso portfólio core e value, em conjunto, apresentou queda de um dígito baixo, refletindo maior sensibilidade a clima e ocasiões fora do lar, embora tenha apresentado melhora sequencial, com ganhos de participação de mercado em comparação com o mesmo período do ano passado. Em nossas iniciativas digitais, o GMV do BEES Marketplace dobrou, impulsionado pela expansão do 3P”, completa a empresa do ramo cervejeiro.
O momento de aumento da popularidade de cervejas zero e com baixas calorias fez a companhia aumentar seu portfólio nos últimos meses. Ainda em março foi lançada a Stella Pure Gold em garrafa de 600ml. Até então, a Pure Gold só era comercializada em long neck.
O rótulo, vale destacar, não possui glúten e tem 17% menos calorias do que a Stella Artois tradicional.
O lançamento começou em Belo Horizonte, dado que Minas Gerais é o estado que mais bebe cerveja no Brasil. No final de março, chegou no Rio de Janeiro e em abril passou a ficar disponível nas demais capitais, incluindo São Paulo.
A capital paulista, entretanto, ganhou outra novidade antes das demais: a Pure Gold versão chope.
Apesar do crescimento, cerveja zero ainda está longe de representar grande fatia do mercado
Ainda que mostre crescimento expressivos – dentro do portfólio da Ambev ou na indústria como um todo – as cervejas zero ainda são minoria.
Conforme dados do Anuário da Cerveja de 2025, essa categoria cresceu 536% no ano passado, para 757 milhões de litros produzidos, mas ainda representa cerca de 5% do total de cerveja produzida.
As cervejas de teor alcoólico baixo ou reduzido tiveram 66 milhões de litros produzidos, um salto de 40%. No entanto, representam 0,4% do total.
A cerveja tradicional teve 14,5 bilhões de litros produzidos, uma queda de 4%. Ainda assim, a categoria representa 94,6% do volume total produzido.
Ações da Ambev saltam 14% e puxam Ibovespa
As ações da Ambev saltavam mais de 14% nesta terça. Com isso, no acumulado do ano de 2026 as ações somam valorização de pouco mais de 20%.
Os papéis ABEV3 figuram como a maior alta do Ibovespa no pregão desta terça-feira, 5, e colaboram para o índice operar no campo positivo. A Ambev é a 13ª companhia de maior peso na carteira do índice.
No melhor momento do dia, as ações da Ambev chegaram a R$ 16,84, máxima intradia desde abril de 2018, quando chegaram a R$17. Por volta de 13h55, os papéis eram cotados a R$ 16,73, com avanço de 15,86% – que se confirmado no fechamento será a segunda maior alta desde a criação da Ambev em 1999.
O otimismo do mercado reflete os números reportados do 1T26 que descolaram para cima das projeções do mercado. O consenso Bloomberg esperava lucro de R$ 3,55 bilhões, Ebitda de R$ 7,1 bilhões e uma receita líquida de R$ 22,3 bilhões.
Enquanto isso, a Ambev reportou um lucro líquido de R$ 3,88 bilhões, Ebitda de R$ 7,55 bilhões e receita líquida de R$ 22,46 bilhões – ou seja, superou as projeções dos analistas em todos esses indicadores.
O crescimento na base anual, entretanto, ainda é tímido: o lucro cresceu pouco mais de 2% ante igual etapa do ano anterior. Ebitda avançou 1,5% e a receita recuou 0,1% na mesma base comparativa.
Os volumes totais vendidos pela companhia permaneceram relativamente estáveis (+0,1%) e a performance de volume foi influenciada pelo crescimento na América Central e Caribe com alta de 7,7%, ao passo que o volume de cerveja vendido no Brasil teve alta de 1,2%, chegando ao patamar recorde
“O volume cresceu 1,2% (superando a indústria, de acordo com nossas estimativas), sobre uma base forte do ano anterior, alcançando novo nível recorde para um primeiro trimestre, sustentado principalmente pela performance das nossas marcas premium. A ROL/hl, excluindo marketplace, cresceu 8,0%, impulsionada pela gestão de receita e pelo mix positivo de marcas”, diz a companhia em seu balanço.
Na contramão, isso foi parcialmente compensado pela diminuição de 0,5% em América Latina Sul, 2% no Canadá e 3,9% nas bebidas não alcoólicas vendidas no Brasil.
“Cerveja vendida no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com um resultado sólido, especialmente em base relativa versus pares e expectativas do mercado, e superando as estimativas da XP, mais do que compensando performances mais fracas nas demais operações”, observa a XP sobre o resultado da Ambev.
