14/02/2026 - 9:00
Três anos após a eclosão do que é considerada uma das maiores fraudes contábeis do mercado financeiro brasileiro, a Americanas deu mais um passo na tentativa de reequilibrar suas operações na tentativa de superar o processo de recuperação judicial. A empresa acertou a venda de mais uma unidade, desta vez no Rio de Janeiro.
A unidade da Americanas na Avenida Nilo Peçanha, em Duque de Caxias (RJ), vai se transformar em um supermercado da rede varejista carioca Guanabara. A ideia é que o ponto passe por pequenas adaptações para receber mais uma loja de autosserviço o mais rápido possível.
Atualmente, o Guanabara já possui 28 lojas, todas no Rio de Janeiro. Com a abertura do novo ponto, a rede passará a ter duas unidades no município fluminense, a poucos metros de distância uma da outra.
Já a Americanas tem em todo estado do Rio de Janeiro 170 lojas, das quais 20 estão localizadas na baixada fluminense. A expectativa é que o negócio não traga grandes impactos para os negócios da empresa. Próximo do imóvel vendido, a cerca de 400 metros, existe uma outra loja da Americanas.
“O processo de redimensionamento, abertura ou fechamento pontual de lojas faz parte do curso normal do varejo, somado a ajustes de curto e médio prazos, com foco em aprimorar a jornada de milhões de clientes e otimizar o negócio”, disse a Americanas em nota.
+Petrobras decide não exercer direito de preferência em potencial venda da Braskem
+Após iniciar colheita da safra, Brasil descobre que vai produzir mais em área menor
Processo de venda de ativos
A venda de ativos considerados não estratégicos faz parte do plano de recuperação judicial apresentado pela Americanas. Os dados mais recentes, divulgados em janeiro de 2026, revelam uma companhia que aprendeu a viver com cicatrizes.
A Americanas encerrou o exercício de 2025 com um caixa de R$ 942 milhões, um salto de 46% em comparação ao ano anterior. Esse fortalecimento de liquidez é, em grande parte, fruto da execução do plano de recuperação, que incluiu o aporte bilionário de R$ 24,5 bilhões homologado anteriormente e a venda dos ativos não estratégicos.
A dieta forçada cobrou seu preço. O parque de lojas físicas da Americanas em dezembro do ano passado estava em 1.470 pontos. Ao longo do ano, mais de 170 pontos foram fechados, muitos dos quais estavam em imóveis alugados e acabaram não gerando receita para o caixa da companhia.
Nesse processo, a grande preocupação é com a base de clientes, incluindo tanto os que visitam as lojas físicas quanto os que fazem compras on-line. A varejista fechou 2025 com 40,8 milhões de clientes ativos, uma retração significativa frente aos 48 milhões do auge pós-crise em 2024.
Ainda que o e-commerce tenha um peso significativo para qualquer varejista, a Americanas tem se mostrado resiliente no que diz respeito às lojas físicas. No início do mês, a empresa anunciou a abertura de 5 mil vagas temporárias para atender a demanda do período de Páscoa.
Recuperação da Americanas
“A Americanas vem conduzindo um plano de transformação do seu parque de lojas físicas, que possui mais de 1.400 unidades por todo o Brasil. A estratégia busca otimizar operações, modernizar áreas de vendas, expandir raios de entrega e melhorar a experiência de compra para milhões de clientes.
Mas não é apenas o fechamento de lojas que se baseia o plano de recuperação judicial da Americanas. No início do ano, a empresa confirmou o avanço na venda da Uni.Co (dona das marcas Imaginarium e Puket), aceitando novas propostas que visam reduzir a alavancagem financeira.
Além disso, a conclusão da venda da Parati por R$ 34,1 milhões demonstra que a estratégia de “limpeza do portfólio” continua a todo vapor. A sobrevivência operacional parece garantida pelo caixa robusto e pela renegociação da dívida, mas a “Nova Americanas” ainda é uma fração do que já foi.
