27/03/2025 - 16:01
A Americanas poderá manter o Hortifruti Natural da Terra (HNT) em seu portfólio, embora a oferta da rede ao mercado esteja prevista em seu plano de recuperação judicial, disse o presidente da varejista, Leonardo Coelho, em entrevista à Reuters nesta quinta-feira.
A Americanas planeja conduzir o processo de venda do Natural da Terra ainda este ano. Mas, caso as propostas de compra não atinjam o valor justo, poderá optar por manter a rede, desde que quite a dívida em debêntures do hortifruti.
+Ações da Americanas despencam mais de 20% após divulgação de balanço
“Dentro do plano, a obrigação é conduzir o processo de venda, mas não necessariamente vender”, disse ele, explicando que o Natural da Terra tem complementaridade com a Americanas e que, se for o caso, o grupo gostaria de mantê-lo. “É um ativo que ajuda bastante aqui no dia-a-dia, embora não seja um ativo essencial.”
A Americanas também poderá fazer ainda este ano a oferta da Uni.co, dona das franquias Puket e Imaginarium, igualmente prevista em seu plano de recuperação judicial. Entretanto, diferentemente do HNT, caso as propostas não atinjam o valor adequado, a Americanas optará por fazer uma nova rodada de venda no futuro.
Na quarta-feira, a Americanas divulgou prejuízo líquido de R$586 milhões no quarto trimestre, após ter registrado lucro de R$2,56 bilhões no mesmo período de 2023, o que provocou queda acentuada das ações em São Paulo.
Na quinta-feira à tarde, as ações da companhia registravam baixa de cerca de 25% na B3.
Segundo Coelho, entretanto, o desempenho do quarto trimestre de 2024 foi superior ao atingido no mesmo período do ano anterior, quando considerado que naquele momento a empresa tinha um crédito em imposto diferido de R$4,8 bilhões.
Segundo o presidente, o processo de recuperação da Americanas, que viveu uma enorme crise nos últimos anos após a descoberta de sucessivas de fraudes contábeis, deve durar ainda cerca de um ano e meio, embora nesse período a companhia esteja trabalhando para que cada trimestre traga resultados melhores.
Com relação ao número de lojas, o executivo disse que Americanas poderá ainda fechar mais pontos de venda, se considerar necessário.
“A gente tenta dar todos os remédios, se os remédios não salvarem o paciente, a gente vai resolver fechando”, disse Coelho, explicando que a Americanas também está abrindo novos pontos, como, por exemplo, a unidade da cidade de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza.
Ao longo de 2024, a Americanas fechou 92 lojas que não atendiam aos seus critérios, terminando o ano com 1.587 pontos de vendas.