Com Nelson Barbosa, não será surpresa se o binômio crédito e consumo voltar a dominar os discursos governistas

Com Nelson Barbosa, não será surpresa se o binômio crédito e consumo voltar a dominar os discursos governistas

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, de 46 anos, está de malas prontas para assumir o Ministério da Fazenda, no lugar de Joaquim Levy, que deixa o governo após sucessivas derrotas no âmbito fiscal.

Levy foi tragado pela crise política. A troca, no apagar das luzes de 2015, está longe de ser um mero detalhe. Significa que a presidente Dilma Rousseff está ressuscitando a chamada “nova matriz econômica”, que predominou no seu primeiro mandato.

Não será surpresa se o binômio crédito e consumo voltar a dominar os discursos governistas, numa tentativa desesperada de fomentar o crescimento econômico a qualquer custo.

Desenvolvimentista, Barbosa é a antítese do ortodoxo Levy, para quem o ajuste fiscal é pré-condição para a retomada sustentável do crescimento. Barbosa, por outro lado, acha que a arrocho piora as condições econômicas, deteriorando as contas públicas.

Dado que a economia não é uma ciência exata, seria uma postura pretensiosa afirmar quem está certo ou errado. A experiência brasileira dos últimos anos, no entanto, mostra que o modelo focado em consumo, com juros subsidiados e desonerações tributárias, funcionou bem no auge da crise, em 2008 e 2009, e depois, repetido à exaustão, levou o País à lona.

Barbosa ainda não expôs à sociedade o seu plano de voo. Suas últimas declarações no Ministério do Planejamento indicam que ele quer, ao menos, flexibilizar o ajuste fiscal. O Brasil está em recessão, tem uma inflação superior a 10% e já perdeu o selo de grau de investimento por duas agências de classificação de risco.

Dobrar a aposta nesse modelo tem um risco enorme que, aparentemente, a presidente Dilma está disposta a correr. A reação inicial do mercado à troca na Fazenda foi negativa, com queda de 3% no pregão da Bovespa, nesta sexta-feira 18.

O mercado não detém o monopólio da verdade, mas, convenhamos, o novo ministro da Fazenda começará a sua missão com um obstáculo a mais, além da crise política e da recessão econômica. Ele terá de superar a desconfiança dos investidores, incluindo os empresários, e mostrar que o seu modelo é crível e suficiente para tirar o País da lama.