30/04/2026 - 6:00
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza nesta quinta-feira, 30, o leilão de uma faixa de radiofrequência estratégica para ampliar o sinal de telefonia móvel no Brasil.
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Em disputa estão as subfaixas de 708 MHz a 718 MHz e de 763 MHz a 773 MHz – parte do chamado espectro de 700 MHz, considerado estratégico justamente por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com mais facilidade do que faixas mais altas. Isso torna essa frequência especialmente útil para atender regiões de difícil acesso, onde construir muitas antenas é caro e logisticamente complicado.
O leilão foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital reorganizou eficientemente as frequências existentes, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis. Oito operadoras apresentaram propostas na semana passada.
O que está em jogo no leilão
- R$ 2 bilhões em investimentos estimados pelas empresas vencedoras
- 864 localidades beneficiadas, com foco em áreas rurais e remotas
- Aproximadamente 800 mil pessoas com acesso direto ao sinal
- Cerca de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais em 16 estados que ainda sofrem com a falta de cobertura
O modelo adotado é não arrecadatório: em vez de priorizar a entrada de recursos nos cofres públicos, o leilão exige das empresas vencedoras compromissos diretos de investimento em infraestrutura.
A licitação também prioriza operadoras regionais – estratégia para estimular a concorrência e acelerar a expansão da cobertura fora dos grandes centros.
A sessão começa às 9h30 e pode ser acompanhada ao vivo pelo canal da Anatel no YouTube.
Por que a faixa de 700 MHz é diferente
Ao contrário da faixa de 3,5 GHz – leiloada em 2021 e voltada para altíssima capacidade de dados em áreas densamente urbanizadas -, o espectro de 700 MHz se destaca pelo alcance geográfico.
O sinal penetra paredes, atravessa terrenos acidentados e chega a regiões onde a densidade de antenas é baixa, o que reduz drasticamente o custo de implantação em áreas rurais.
Na prática, isso significa sinal de qualidade dentro de residências, escolas e hospitais em cidades pequenas, além de cobertura nas estradas federais que hoje funcionam como zonas mortas de conectividade.
O pano de fundo
O leilão desta quinta acontece num momento de pragmatismo no setor. Implementado no Brasil desde 2020, o 5G cobre hoje cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população – mas apenas 19% dos usuários móveis do país, cerca de 50 milhões de pessoas, aderiram à tecnologia. O ciclo de negócios ainda está em desenvolvimento e o capital investido em antenas e leilões anteriores ainda não gerou o retorno esperado.
É nesse contexto que as três grandes operadoras do país – Vivo, Claro e TIM – demonstram cautela em relação ao 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), tecnologia disponível globalmente desde 2024 por fornecedores como Ericsson, Huawei e Nokia. Com velocidade média de 1,5 gigabit por segundo – três vezes superior ao 5G convencional -, o 5.5G também oferece latência reduzida, menor consumo de energia e capacidade de conectar mais dispositivos simultaneamente numa mesma antena.
No Brasil, por ora, o que se vê são testes controlados e lançamentos pontuais em áreas restritas. Um dos principais obstáculos é o preço dos aparelhos compatíveis, que raramente ficam abaixo de R$ 2,5 mil, limitando o acesso a uma parcela pequena da população.
