21/01/2015 - 20:19
A Construtora Andrade Gutierrez (CAG) reagiu ao rebaixamento de seu rating corporativo pela agência de classificação de risco Moody’s, de Ba1 para Ba2, com a perspectiva alterada de estável para negativa. Em comunicado divulgado nesta noite de quarta-feira, 21, a Andrade Gutierrez diz que entende que a reclassificação realizada hoje pela Moody’s em relação à empresa se deu “fortemente por conta de fatores externos à construtora”.
Segundo a companhia, uma possível deterioração dos fundamentos da indústria, em função dos últimos acontecimentos no mercado de infraestrutura, e incertezas macroeconômicas referentes ao Brasil foram os principais fatores para a mudança de rating.
“Dessa forma, a Andrade Gutierrez afirma que tem tamanho e escala significativos, como a segunda maior empresa de construção civil do Brasil, e está inserida em um dos maiores e mais sólidos grupos de infraestrutura da América Latina, com ativos listados em bolsa, com liquidez e valor de mercado de aproximadamente R$ 7,5 bilhões, sem considerar nenhum prêmio de controle nestes ativos”, afirma.
A empresa diz ainda que “possui uma gestão experiente e está conduzindo um processo forte de melhoria de produtividade, reposicionamento estratégico junto aos seus clientes e mercado”. Além disso, “tem investido constantemente na implementação das melhores práticas de Governança Corporativa”.
Também no comunicado, a companhia destaca que possui uma forte posição de caixa, que chegou a aproximadamente R$ 2,35 bilhões no final do ano, resultante de uma política de gestão contratual focada no saldo de caixa.
“Esta posição de caixa supera todas as dívidas além das garantias fornecidas pela companhia, o que coloca a mesma numa posição de liquidez diferenciada no setor. A dívida de curto prazo é de somente R$ 350 milhões, e o prazo médio da dívida total é de aproximadamente três anos”, diz. “Esta excelente posição de liquidez, somada a um backlog de R$ 29,1 bilhões (dos quais 55% advém de suas operações no exterior), suporta cerca de 3,5 anos de receita. Mantendo assim a companhia com uma solidez financeira ímpar dentro do mercado de construção pesada.”
A Andrade Gutierrez afirma ainda que a fonte de risco da indústria sinalizada no relatório da Moody’s diz respeito às investigações da Operação Lava Jato, da qual, reitera, não faz parte. “Como, aliás, é explicitado pela agência de classificação, que deixa claro que a companhia não teve qualquer executivo acusado ou indiciado.”
Em relação à proibição de participação de futuras licitações na Petrobras, a Andrade Gutierrez reafirma, no comunicado, “seu posicionamento no qual está apresentando a devida defesa administrativa à estatal para que a situação seja rapidamente revertida”.
Além do rating corporativo, a Moody’s rebaixou de Ba1 para Ba2 os bônus garantidos emitidos pela Andrade Gutierrez International, com a perspectiva também alterada de estável para negativa.
“O rebaixamento dos ratings da CAG para Ba2 reflete a forte deterioração das métricas de crédito da companhia em 2014 em razão do crescimento da receita mais fraco que o esperado e das margens de lucro mais baixas”, afirmou a Moody’s em relatório.
A Moody’s também destacou que “a mudança na perspectiva para negativa reflete a deterioração dos fundamentos do setor em consequência dos escândalos de corrupção na Petrobras e das incertezas macroeconômicas no Brasil e na Venezuela, que podem levar a maiores riscos de execução para a companhia no curto prazo”.
Embora a construtora não tenha executivos indiciados por corrupção, comenta a Moody’s no relatório, ela foi proibida de participar de futuras licitações da Petrobras, junto com outras 22 construtoras. “A CAG se beneficia por ter uma exposição baixa ao segmento de petróleo e gás, e à Petrobras em particular”, ponderou a Moody’s. (Colaborou Danielle Chaves)