Da IstoÉ

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira, 25 de junho, uma resolução crucial que reconhece o interesse público na suspensão de dívidas relativas à implantação da usina nuclear Angra 3. A medida, solicitada pela Eletronuclear, estatal responsável pelo projeto, aos bancos BNDES e Caixa Econômica Federal, visa permitir uma avaliação aprofundada da viabilidade da prorrogação desses pagamentos.

A decisão do CNPE, portanto, respalda a solicitação da Eletronuclear no âmbito da política energética nacional, abrindo caminho para que as instituições financeiras analisem a proposta. O Ministério de Minas e Energia (MME) esclareceu em comunicado que qualquer concessão dependerá de análise técnica rigorosa e das decisões autônomas do BNDES e da Caixa.

O que aconteceu

  • O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o reconhecimento de interesse público na suspensão de dívidas de Angra 3.
  • A resolução permite que BNDES e Caixa Econômica Federal avaliem a solicitação da Eletronuclear para prorrogar pagamentos.
  • O ministro Alexandre Silveira defende a extensão do prazo para que o governo decida sobre a conclusão das obras da usina nuclear.

Após a reunião do CNPE, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enfatizou a necessidade de uma extensão das dívidas da usina até que o governo federal tome uma decisão final sobre a continuidade e finalização das obras. “Estamos submetendo aos credores, BNDES, Caixa e outros, para poder estender o prazo [da dívida] para que, ao tomar a decisão que eu particularmente defendo, de conclusão de Angra 3…”, declarou Silveira a jornalistas, sinalizando seu posicionamento favorável à conclusão.

Qual o histórico do projeto Angra 3?

Com início há mais de 40 anos, o projeto da terceira usina nuclear brasileira tem um histórico de paralisações. Em diversas ocasiões, as obras foram interrompidas por falta de recursos financeiros, além de ter sofrido severas interrupções devido a suspeitas de corrupção que vieram à tona na Operação Lava Jato.

A deliberação sobre a finalização das obras de Angra 3 ainda pende no CNPE. Estudos conduzidos pelo BNDES indicam que a conclusão demandaria investimentos adicionais estimados em 24 bilhões de reais. Contudo, o abandono completo do projeto também representa um custo elevado, com estimativas que superam os 20 bilhões de reais.