20/05/2015 - 21:11
Alvo de fortes críticas pelas condições de vida dos operários que trabalham nas obras da Copa do Mundo de 2022, o Catar não cumpriu suas promessas de reformas trabalhistas feitas em maio de 2014, denunciou nesta quinta-feira um relatório divulgado pela Anistia Internacional.
No relatório “Prometer pouco, cumprir menos”, a ONG critica “abusos” contra trabalhadores migrantes e cobra reformas em aspectos cruciais, como o fim do sistema ‘Kafala’, que deixa o empregado totalmente dependente do padrão, sem a possibilidade de buscar outra empresa.
Para Mustafa Qadri, pesquisador da Anistia que estudou as condições de trabalho dos migrantes, “existem sérias dúvidas sobre o comprometimento do Catar em lutar contra abusos”.
De acordo com a organização que defende os direitos humanos, com base em estatísticas fornecidas pelos governos da Índia e do Nepal, 441 operários oriundos de ambos os países morreram no Catar em 2014. As causas das mortes não foram detalhadas.
“O governo tinha feito promessas para melhorar os direitos dos trabalhadores migrantes no Catar, mas, na prática, não houve progressos significativos”, critica Qadri, que acusa o país árabe de ter feito uma “mera operação de relações públicas” quando fez suas promessas no ano passado.
A Anistia soma nove setores “fundamentais” que necessitam reformas, e alega que o governo catariano fez apenas “progressos limitados” em cinco desses quesitos.
O ministro do trabalho do Catar, Abdallah Ben Saleh al-Khulaifi, afirmou recentemente que estava “90% certo” de que a “Kafala” não terá mais vigência no país até o fim deste ano, e que o sistema de proteção dos salários será operacional até agosto, além de prometer melhorias nas condições de moradia dos migrantes.
A Anistia também fez um apelo à Fifa, que terá eleições presidenciais na semana que vem, para “dar prioridade” para o assunto e “exigir das autoridades catarianas reformas reais para proteger os direitos dos migrantes”.
A entidade que rege o futebol mundial reagiu através de um comunicado, alegando ter “alertado publicamente, repetidas vezes”, o Catar sobre o problemas, e deixou claro que pretende “continuar pedindo para que as autoridades catarianas façam as reformas e acabem com o sistema de Kafala”.
A Fifa espera que a Copa do Mundo “sirva de catalisador significativo” para melhorar a situação dos migrantes, e ressalta que “nenhum dos incidentes que constam no relatório da Anistia ocorreu nos canteiros de obras dos estádios”.
Na segunda-feira, a BBC informou que um dos seus jornalistas foi detido por 24 horas em Doha por ter filmado um grupo de trabalhadores nepaleses num canteiro.
Dois patrocinadores oficiais da Fifa, Coca Cola e Visa, expressaram publicamente suas “preocupações” sobre as condições de trabalho dos operários.