27/10/2017 - 18:38
Os aliados da Espanha em Europa, Estados Unidos e Canadá, assim como organizações internacionais como a Otan e a ONU se colocaram ao lado de Madri nesta sexta-feira (27), depois que o Parlamento catalão aprovou uma declaração de independência.
Os deputados catalães aprovaram a declaração de independência por 70 votos a favor e 10 contra em uma votação da qual a oposição não participou.
A seguir, as principais reações internacionais:
– UE: “a força do argumento” –
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que Madri continua sendo o “único interlocutor” da UE. “Espero que o governo espanhol favoreça a força do argumento, não o argumento da força”, tuitou.
Seu contraparte da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, advertiu sobre os riscos de “mais rachas” nos 28 membros do bloco.
“Não devemos interferir nesse debate hispano-espanhol, mas não gostaria que amanhã a União Europeia tenha 95 Estados-membros”, declarou Juncker à imprensa durante visita à Guiana Francesa.
“Ninguém na União Europeia vai reconhecer esta declaração”, assegurou por sua vez o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.
– França: “um interlocutor na Espanha” –
O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou seu apoio a Mariano Rajoy.
“Tenho um interlocutor na Espanha, é o chefe de governo Rajoy (…) Há um Estado de direito na Espanha, com regras constitucionais. Quer fazê-las respeitar e tem todo o meu apoio”, disse o presidente durante visita à Guiana Francesa.
– Alemanha: “prioridade ao diálogo” –
A Alemanha “não reconhece a declaração de independência” da Catalunha, manifestou-se pelo Twitter o porta-voz governamental Steffen Seibert, pedindo diálogo entre as duas partes.
“A soberania e a integridade territorial da Espanha são e continuarão sendo invioláveis”, acrescentou. “Esperamos que todas as partes envolvidas deem prioridade ao diálogo para que a situação se acalme”.
– Reino Unido: “preservar a unidade” –
“O Reino Unido não reconhece, nem reconhecerá a declaração unilateral de independência feita pelo Parlamento regional catalão”, anunciou um porta-voz do governo de Theresa May.
“Baseia-se em uma votação que foi declarada ilegal pelos tribunais espanhóis. Continuamos querendo ver que se mantém o Estado de direito, que se respeita a Constituição espanhola e que se preserva a unidade”.
No entanto, o governo escocês mostrou-se mais favorável à Catalunha, embora não tenha reconhecido a declaração de independência.
“Embora a Espanha tenha direito de se opor à independência, o povo da Catalunha deve contar com a capacidade de decidir seu próprio futuro”, declarou Fiona Hyslop, ministra escocesa das Relações Exteriores.
– EUA: manter uma Espanha “forte e unida” –
Os Estados Unidos consideram que a Catalunha é parte integrante da Espanha e apoiam as medidas de Madri para manter a Nação “forte e unida”, disse o Departamento de Estado.
“Os Estados Unidos têm uma grande amizade e uma associação durável com o nosso aliado na Otan, a Espanha”, disse em um comunicado a porta-voz, Heather Nauert.
– Canadá “reconhece uma Espanha Unida”
O Canadá rejeitou a declaração unilateral de independência catalã e pediu diálogo entre Barcelona e Madri.
“De acordo com princípios legais, estas decisões precisam ser tomadas no enquadramento constitucional”, disse Andrew Leslie, secretário parlamentar do ministro de Relações Exteriores canadense, na Câmara dos Comuns.
“Isto posto, o Canadá reconhece uma Espanha unida”, reforçou.
– Bélgica: “solução pacífica” –
“Pedimos uma solução pacífica com respeito à ordem nacional e internacional”, pediu pelo Twitter o primeiro-ministro belga, Charles Michel, considerando que “uma crise política só pode se resolver mediante o diálogo”.
– Itália: “um ato gravíssimo” –
“A Itália não reconhece e não reconhecerá a declaração unilateral de independência” da Catalunha, disse o ministro de Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano, em um comunicado.
“Trata-se de um ato gravíssimo e fora da lei”, avaliou, expressando uma “condenação firme” e “o desejo de que se possa restabelecer um diálogo dentro do respeito à Constituição espanhola”.
– Otan: “assunto interno” –
“A questão da Catalunha é um assunto interno que deve ser resolvido dentro da ordem constitucional da Espanha”, declarou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em um comunicado, no qual reconheceu as “contribuições importantes” da Espanha à Aliança Atlântica.
– ONU: soluções “constitucionais” –
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a todas as partes que busquem soluções para a situação gerada após a declaração de independência “dentro do marco constitucional espanhol e através dos canais políticos e legais estabelecidos”.
Guterres destacou que se trata “de um assunto interno da Espanha”, explicou um porta-voz da ONU.
