O lucro líquido contábil do Bradesco no terceiro trimestre, que já considera os números do HSBC Brasil, de R$ 3,236 bilhões, ficou abaixo da projeção de analistas do mercado financeiro. A cifra foi 20,9% menor que a de R$ 4,093 bilhões, conforme a média de 11 casas consultadas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, (Deutsche Bank, Goldman Sachs, BTG Pactual, Credit Suisse, Bank of America Merrill Lynch, Brasil Plural, Citigroup, JPMorgan, Morgan Stanley, UBS e uma casa que preferiu não ser identificada).

Quando comparado o lucro do Bradesco no terceiro trimestre ante um ano, de R$ 4,120 bilhões, a cifra foi 21,5% inferior. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, de R$ 4,134 bilhões, foi identificada retração de 21,7%.

O Broadcast considera que o resultado veio em linha com as estimativas do mercado quando a variação para cima ou para baixo é de até 5%.

Guidance

O Bradesco revisou, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, os guidances divulgados para este ano após a consolidação do HSBC Brasil. A instituição destaca, porém, que as novas projeções não produzem “alterações significativas” no resultado anual esperado com base na estimativa anterior.

Conforme o novo guidance, o Bradesco espera que sua carteira de crédito encolha de 7% a 3% neste ano, considerando os números do HSBC desde janeiro de 2015 (pro forma). Já se levado em conta o balanço do banco inglês apenas a partir do segundo semestre deste ano, a expectativa da instituição é de que os empréstimos cresçam de 8% a 12% em 2016 em relação ao ano passado. Anteriormente, o banco projetava queda de 4% até estabilidade da carteira.

Os empréstimos às pessoas físicas devem ficar estáveis e, na melhor das hipóteses, crescer até 4% neste ano, considerando o guidance pro forma. Levando em conta o HSBC somente a partir do segundo semestre, o segmento deve apresentar alta de 13% a 17%. Antes, o Bradesco projetava elevação de 1% a 5%.

No que tange à pessoa jurídica, a instituição projeta redução de 9% a 5% (pro forma) e aumento de 5% a 9%, considerando o HSBC desde o segundo semestre de 2016. O intervalo inicialmente divulgado estimava retração de 7% a 3%.

As despesas com provisões para devedores duvidosos do Bradesco, as chamadas PDDs, devem totalizar de R$ 22,5 bilhões a R$ 25,0 bilhões no conceito pro forma e de R$ 20,0 bilhões a R$ 22,5 bilhões, com o HSBC a partir da segunda metade deste ano. Antes, o banco estimava que esses gastos somariam de R$ 18,0 bilhões a R$ 20,0 bilhões.

Para a margem financeira de juros, o Bradesco projeta crescimento de 3% a 7% no conceito pro forma. Considerando os números do HSBC a partir do segundo semestre deste ano, a expectativa do banco é de alta de 13% a 17%. Antes, projetava incremento de 7% a 11%.

Já as receitas com prestação de serviços devem expandir de 3% a 7% (pro forma) e de 12% a 16%, com HSBC só no segundo semestre. Anteriormente, a instituição projetava aumento de 7% a 11%.

As despesas operacionais do Bradesco podem reduzir 2% e, na pior das hipóteses, aumentar 2% neste ano ante 2015, no conceito pro forma. Se considerados os números do HSBC somente a partir da segunda metade deste exercício, esses gastos devem aumentar de 12% a 16%. Antes, o banco projetava aumento de 4% a 8% para as despesas operacionais.

O único guidance que foi mantido pelo banco foi o de crescimento para os prêmios de seguros que devem crescer de 8% a 12% neste ano em relação a 2015 tanto no conceito pro forma como se considerado o HSBC somente a partir do segundo semestre.