Um bate-boca entre deputados interrompeu, por volta das 12h20 desta  segunda-feira, 11, a fala do advogado-geral da União, ministro José  Eduardo Cardozo, na Comissão Especial de Impeachment da Câmara. O  ministro já havia sido interrompido um pouco mais cedo.

Parlamentares  da oposição gritaram palavras contra a presidente Dilma Rousseff e o  governo. Membros da base aliada responderam gritando “não vai ter  golpe”.

“É natural o debate acalorado, mas não é normal o  desrespeito à fala do advogado-geral da União”, disse o deputado Rogério  Rosso (PSD-DF), presidente da Comissão, pedindo silêncio aos presentes.

Rosso  também negou pedido de membros da oposição para que o relator Jovair  Arantes, citado por Cardozo, voltasse a falar. “Não haverá tréplica do  relator”, confirmou o presidente do colegiado.

Ao retomar  seu discurso, Cardozo disse que, em caso de dúvidas, “deve-se  investigar, e não abrir um processo que pode levar ao afastamento da  presidente Dilma”. “O que querem é o impeachment. Pouco importa se estão  rasgando a Constituição”, afirmou.

“Defendo que o  relatório não expressa condições de aceitabilidade contra a presidente  legitimamente eleita. Defendo que o processo foi instaurado por desvio  de poder por meio de mão invisível ou talvez visível, que faz com que  processos andem rápido e outros não”, afirmou. “Defendo que num país  marcado pela corrupção, uma presidente não pode ser afastada por uma  questão contábil que era aceita pelos tribunais”.

“Defendo a  nulidade do processo”, finalizou Cardozo. O advogado-geral da União  chamou a situação atual de “golpe de abril de 2016”. Antes de deixar a  mesa diretora do colegiado, o ministro citou a ditadura militar e falou  que nunca pensou que a democracia seria violada novamente no País.

Após  o final da defesa do advogado-geral, os parlamentares voltaram a usar  palavras de ordem. Os deputados da oposição iniciaram um coro gritando  ”impeachment” e os da base do governo voltaram a gritar “não vai ter  golpe”.

As discussões seguem na comissão, com deputados  esclarecendo dúvidas sobre as regras da sessão e a votação do parecer.  Rogério Rosso afirmou que não irá interromper a sessão para almoço.