26/05/2014 - 15:36
O toque da campainha na manhã da terça-feira 6, marcou o lançamento de um novo fundo de índice, ETF, pela BM&F Bovespa, o iShares S&P 500, baseado no principal índice da bolsa americana. Sob gestão da americana BlackRock, será o primeiro fundo de índice estrangeiro a ser listado na bolsa brasileira. O novo fundo se junta aos outros 16 negociados pela bolsa que movimentaram R$ 2,6 bilhões em abril, ante R$ 1,6 bilhão em março.
De acordo com Bruno Stein, diretor da BlackRock, que possui US$ 3 bilhões sob gestão no Brasil, afirma que o novo fundo será o primeiro de vários. “Quando abrimos nossa filial no Brasil, em 2007, já estava em nossos planos a ideia de montar ETFs locais e internacionais, as locais foram mais rápidas e agora saiu a primeira internacional, primeira de várias”, diz Stein. Em entrevista à DINHEIRO, o executivo conta como foi o processo para a criação do fundo e os próximos passos da gestora no Brasil.
DINHEIRO – Desde quando a BlackRock estuda a criação de um índice lastreado no S&P500?
Bruno Stein – Quando a BlackRock abriu sua filial no Brasil, em 2007, já estava nos nossos planos operações com índices estrangeiros. Tínhamos ideia de montar ETFs locais de renda fixa e variável e internacionais. Foi mais rápido desenvolver o mercado de ETFs locais. Em relação a esse fundo, trabalhamos nele desde 2008 e para isso, contamos com o apoio da Bolsa, do Citibank, da CVM. Todos esses agentes contribuíram para a autorização do fundo.
A crise de 2008 atrapalhou o processo de criação do índice?
Essa crise gerou grandes problemas de derivativos, é claro que a CVM queria olhar com lupa e microscópio todos os detalhes envolvidos não só no nosso fundo, mas em todos os ativos que fossem lançados de lá para cá. Mas o fato de termos um mercado muito bem regulamentado e uma estrutura financeira muito forte, ajudou com que os processos fluíssem de forma normal.
A retomada da economia americana influenciou para o lançamento do fundo?
Não.O momento econômico não influenciou nosso planejamento. O que mais influenciou foi a questão operacional, que era analisar se haveria demanda para ele e a Bolsa já observava demanda para este tipo de ativo. E por outro lado, o lançamento dependeu desse trabalho minucioso de regulação.
Qual demanda foi identificada para esse índice?
É um produto que possui demanda por quase todos os tipos de investidores. A primeira é a demanda de quem quer ter acesso a mais de uma classe de ativos, o que é possível por meio do multimercado. Outra possibilidade é quem quer negociar ativos vinculados a um índice como o S&P500. Neste caso, o ETF dá a vantagem ao investidor que é a possibilidade de não ter que negociar rolagens futuras.
Para que tipo de investidor esse ETF é recomendado?
Para o investidor que quer estar no S&P500 em longo prazo e acredita no mercado americano ou um fundo de pensão que queira diversificar no Brasil. Ou também para aquelas instituições que precisam ou querem usar o S&P500 para fazer hedge.
Qual a diferença para o investidor entre comprar o papel direto na bolsa americana e o índice aqui na Bolsa?
O investidor brasileiro que tem seu dinheiro e sua estrutura aqui tinha dificuldade de comprar exposição no mercado americano. Antes, ele poderia ter uma BDR, mas não tinha as 500 ações que estão no S&P500. Agora, ao invés de comprar 500 ações, ele pode comprar o fundo já que é muito complicado fazer gestão de 500 papéis e ter uma estrutura lá fora.
Que tipo de comportamento possui o S&P500?
Nos últimos cinco anos, o índice já esteve caro, barato e muito barato. Os ETFs, porém, devem ser estratégias de longo prazo. No Brasil, as pessoas tendem a olhar no curto prazo e quando está pensando em investir no exterior levam essa cultura do médio e longo prazo. Outra questão é que, se você compra um índice no exterior, não está deixando de comprar Brasil, mas diversificando. O Brasil é menos de 2% do mercado acionário mundial, enquanto os Estados Unidos representam 50%. Será que vale a pena deixar de lado uma oportunidade tão coisa por causa dessa cultura de pensar apenas no curtíssimo prazo?
Quais os planos para a criação de novos fundos?
Este é o primeiro de vários. A gente ainda está trabalhando e discutindo, conversando com os clientes, mas temos interesses. Não quero trazer o que eu quero, mas sim o que os clientes querem.
