02/07/2003 - 7:00
Se a capacidade de chamar atenção tivesse uma relação direta com as vendas, a Apple já teria se tornado a maior fabricante de computadores do planeta. Não é. No ranking do instituto de pesquisas IDC Corporation, a empresa ocupa a décima posição. Mas seu último anúncio, que agitou os participantes do evento promovido pela empresa para desenvolvedores na cidade de São Francisco, EUA, teve um belo impacto. Steve Jobs, o presidente e fundador da empresa, revelou uma versão ainda mais veloz do seu computador Power Mac, o G5, com 64 bits. Trata-se de um degrau importante na evolução tecnológica, uma vez que quase a totalidade dos computadores existentes na atualidade processa informação a um ritmo de 32 bits por vez. Como
Jobs fez questão de frisar em sua palestra, o G5 será mais
veloz que qualquer computador que funcione com o sistema operacional Windows, da Microsoft.
Depois de atrair os holofotes para o G5, Jobs agora terá de enfrentar a parte mais difícil: convencer os consumidores a comprá-lo. E pode ter pecado pela antecipação. ?Para a Apple ser bem-sucedida, será fundamental que as empresas de software desenhem programas para funcionar nessa nova arquitetura de 64 bits?, diz Antonio Calmon, diretor de semicondutores da Motorola Brasil. A empresa desenvolveu o chip em parceria com a IBM e a Apple. Até o momento, poucos acreditavam que este passo tecnológico seria necessário. A Intel, por exemplo, tem a linha Itanium de 64 bits para servidores corporativos, mas nunca pensou em inseri-los em computadores pessoais, onde reina a linha Pentium. A explicação: os programas utilizados hoje, como editores de texto e planilhas eletrônicas, foram desenhados para 32 bits e não há garantias suficientes de que eles tenham um bom desempenho em um computador mais possante.
Vanguarda. Por outro lado, a AMD, concorrente da Intel, deve lançar um processador com 64 bits para computadores pessoais em agosto. A Adobe e a Quark, que fazem programas para editar vídeos, páginas e fotos e têm mais uso para a velocidade, afirmam que irão refazer seus softwares para o novo G5. ?Muitas empresas estão nos apoiando?, diz Inácio Pereira, gerente de serviços da Apple no Brasil. Com menos de 5% do mercado de computadores, a Apple está longe de ter a força de uma HP ou de uma Dell. Porém, se conseguir que outros a acompanhem poderá estar empurrando a fronteira tecnológica de todo um setor da economia. ![]()