06/01/2015 - 10:54
Desde que o presidente americano Barack Obama e seu correspondente cubano Raúl Castro anunciaram a aproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos, em dezembro, o telefone da The Havana Consulting Group, consultoria localizada em Miami, não para de tocar. Emilio Morales, presidente da empresa criada em 2007 para mapear oportunidades existentes em Cuba, diz que os países já presentes na ilha, como Brasil, Espanha e Canadá, entre outros, terão grandes vantagens em uma eventual queda do embargo. Nascido em Cuba, o engenheiro Emilio Morales foi por cinco anos diretor da estatal cubana Cimex, maior empresa de comércio exterior de Cuba, além de ser um representante do governo cubano na África do Sul, na Argentina, no México e no Canadá. Em 2007 ele emigrou para os Estados Unidos para criar sua consultoria. Ele falou, com exclusividade, para a DINHEIRO:
DINHEIRO – Qual será o efeito da aproximação entre os dois países na economia?
Emilio Morales – O anúncio da retomada das relações diplomáticas entre os dois países provocou um tsunami de consultas e procura por nossos serviços. A notícia fez com que várias empresas americanas começassem a criar projetos para Cuba com o objetivo de se tornarem potenciais investidores na Ilha.
DINHEIRO – Atualmente, quais de seus clientes possuem negócios na Ilha?
Morales – Empresas do Canadá, Espanha, Ásia e América Latina estão presentes em Cuba, a maioria nas áreas de turismo. Elas serão beneficiadas por uma abertura, pois já possui relações e conhecem o mercado cubano.
DINHEIRO – Qual o impacto para o negócio dessas empresas?
Morales – No médio prazo é previsível uma aceleração dos investimentos em Cuba, principalmente nas áreas de turismo e de infraestrutura. Agora, por exemplo, com a flexibilidade para viagem de turistas americanos estimamos um boom no setor turístico. No ano passado, 630 mil turistas americanos viajaram para Cuba e a estimativa e que esse número chegue a 800 mil em 2015 e a 1 milhão em 2016. Outro setor importante é o imobiliário que deve sofrer um forte impulso e receber muitos investimentos. Além disso, temos a indústria alimentícia, o transporte e a construção.
DINHEIRO – Em números totais, estamos falando de quanto?
Morales – Somados esses setores estimamos um potencial de investimentos em US$ 30 bilhões para os próximos vinte anos em condições onde não exista mais o embargo.
DINHEIRO – De que maneira o Brasil deverá se beneficiar?
Morales – O novo cenário pode dar um forte impulso no comércio entre os dois países. Além da questão da infraestrutura, onde o Brasil já tem forte presença como no Porto de Mariel, a indústria de açúcar, a manufatura de produção de alimentos e a biotecnologia na parte de combustíveis renováveis.
DINHEIRO – Como pode funcionar uma consultoria de negócios em um país, até então, fechado para negócios?
Emilio Morales – Surgimos da necessidade de aumentar o número de informações e estatísticas sobre a economia cubana. Temos um grupo de consultores que estudam a economia da Ilha. Também calculamos o poder aquisitivo da população em todos os níveis territoriais. Temos uma visão sobre as mudanças dos futuros econômicos que Cuba vai viver e, por isso, nos adiantamos em oferecer este tipo de serviço.

