07/02/2007 - 8:00
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André Penha, da Overplay: ?Estamos nos organizando para exportar?. |
O fato de a moçada brasileira ser fanática por games não é novo. Afinal de contas, estima-se que haja nada menos do que 11 milhões de consoles no Brasil, apesar de poucos terem sido importados oficialmente. A novidade é que, nos últimos anos, além de apertar botões para destruir inimigos e ultrapassar desafios, um número cada vez maior de jovens empreendedores tem criado jogos. É o caso de André Penha, 31 anos de idade. Engenheiro de computação pela Unicamp, ele trabalhou em grandes empresas como a fabricante de autopeças Bosch. ?Queria mudar de ramo e sempre gostei de games?, diz Penha. Com a pequena poupança dos empregos, a ajuda de um amigo designer e outro publicitário e da incubadora Ciatec, ele criou a desenvolvedora de jogos eletrônicos Overplay, em 2005. Um de seus primeiros games, o Pro Goal, vendido pela Claro e pela Oi, foi um tremendo sucesso. Tanto que a Overplay recebeu a encomenda para fazer o jogo oficial da Copa do Mundo de 2006 da CBF para a Vivo. Esse game abriu as portas para que Penha se tornasse um dos sócios da TecToy Digital, o estúdio desenvolvedor dos games da TecToy.
Celular é uma das áreas mais atraentes aos novos empreendedores, pelo acesso relativamente fácil às empresas de telefonia, mas não a única em que atuam. A Insolita, por exemplo, desenvolve jogos para PCs como o Case Days, que mostra as agruras da época das cavernas. Winston Petty, 28 anos, resolveu criar a Insolita quando desistiu de estudar no Exterior. ?O dólar estava caro e tive de pensar em outra coisa para fazer?, conta. Amante de jogos eletrônicos, conseguiu montar a sua ainda pequena companhia quando ganhou o Jogos Br (2006-2007), concurso de idéias para jogos eletrônicos promovido pelo Ministério da Cultura. ?A paixão é o requisito que nos move?, afirma. ?Os desenvolvedores poderiam ganhar muito mais dinheiro se trabalhassem com publicidade, mas preferem continuar insistindo nos games.?
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Em todas as plataformas: jogos como o Double Dragon, para celular e o Cave Days, para PC, têm sido criados e vendidos pelos desenvolvedores locais. |
A base tecnológica que permitiu o surgimento dessa ainda incipiente indústria é o software livre. Sem custo, ele permite que um ou dois apaixonados usem a criatividade para ganhar dinheiro. Apesar da precariedade, alguns passos para a formalização dessa indústria estão sendo dados. ?As empresas brasileiras estão se organizando para conquistar espaço no mercado mundial de games?, diz Penha, que também é presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames). É um mercado e tanto. Segundo a empresa de pesquisas Juniper Research, a indústria de games para celular faturou, em 2006, US$ 3 bilhões e espera arrecadar US$ 17 bilhões, até 2010. Os desenvolvedores brasileiros representam pífio 0,1% dessa quantia.
Outra iniciativa é a participação em congressos no Exterior. Em 2006, 11 empresas nacionais foram a dois dos principais eventos do setor: o francês Game Connection e o alemão Games Convention. ?Foi a primeira vez que empresas internacionais perceberam que o Brasil tem uma indústria nesse segmento?, diz Charles Schramm, consultor da entidade de promoção do software brasileiro, Softex. Foi por meio dessas feiras que a Overplay fechou contrato com a rede de TV dinamarquesa TV2 para desenvolver games no portal da emissora e em celulares. ?Não fizemos nenhum negócio, mas foi ótimo entender o que os estrangeiros querem?, diz Petty, da Insolita.
Se o mercado externo é deslumbrante, o local não deixa de ser apetitoso. Com quase 100 milhões de celulares, as operadoras brasileiras precisam de alternativas para aumentar receita. ?Temos de massificar os jogos?, diz Felipe Gadelha, gerente de games da Vivo, que contabiliza 500 mil downloads de jogos por mês. Estudo da Mobile For You, que vende serviços desse tipo às operadoras, indica que 30% dos brasileiros pretendem jogar no celular nos próximos 12 meses. ?Jogo é o conteúdo que mais cresce em telefonia móvel?, afirma Carlos Antunes, diretor de marketing da Mobile For You.
US$ 3 bilhões foi a movimentação do mercado de jogos para celular em 2006 |

