Os Estados Unidos acompanham de perto os acontecimentos na Arábia Saudita onde estão previstos protestos para esta sexta-feira, e defendem “valores universais”, como o direito a se manifestar, informou nesta quinta-feira um dirigente americano.

Três manifestantes xiitas ficaram feridos nesta quinta-feira em Al Qatif, leste da Arábia Saudita, por tiros disparados pela polícia ao tentar dispersar manifestação para pedir a libertação de prisioneiros, informou uma testemunha à AFP.

Uma convocação pelo Facebook de um “Dia de revolução” em 11 de março na Arábia Saudita recebeu a aprovação de milhares de pessoas, quando já circula outro convite para um movimento semelhante no dia 20 de março.

Os manifestantes pedem que “o dirigente e os membros da Majlis al-Shura (conselho consultivo nomeado) sejam eleitos”, também pedem “a libertação dos presos políticos”, “a liberdade de expressão e de reunião” e que as mulheres tenham direitos iguais no reino.

No entanto, “as leis do reino proíbem todo o tipo de manifestação, marcha ou protesto pacífico, já que vão contra a sharia (lei islâmica) e as tradições da sociedade saudita”, lembrou o ministério do Interior, citado pela agência oficial SPA e pela televisão.

O ministério acrescentou que a polícia está autorizada a “tomar todas as medidas necessárias contra aqueles que violam a lei”.

Esta mensagem de advertência ocorre depois do registro, nos últimos dias, de pequenas manifestações no reino, governado por uma dinastia sunita conservadora.

Estes pequenos protestos ocorreram sobretudo no leste do país, onde vive uma forte comunidade xiita.

Em um comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu às autoridades sauditas que “voltem atrás em sua decisão de proibir as manifestações pacíficas”.

De seu lado, a Anistia Internacional também pediu às autoridades que garantam o direito de expressão da população, recordando que são obrigadas, pela lei internacional, a garantir protestos pacíficos.

A data escolhida para a manifestação coincide com a criação, em 11 de março de 1996, do Movimento pela Reforma Islâmica na Arábia, um grupo dissidente com sede em Londres e que até agora não conseguiu mobilizar as multidões no reino.

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