05/02/2016 - 15:51
A gigante da siderurgia ArcelorMittal anunciou nesta sexta-feira um arsenal de medidas de reestruturação depois de registrar perdas de quase 8 bilhões de dólares em 2015 pela queda dos preços do aço e do minério de ferro.
As perdas de 2015 elevaram-se a 7,9 bilhões de dólares, quase oito vezes mais que em 2014 (1,08 bilhão de dólares), informou a companhia em um comunicado.
A margem bruta de exploração (EBITDA) caiu 27,7% em 2015 até os 5,2 bilhões de dólares.
“O ano de 2015 foi muito difícil para o aço e para a mineração”, resumiu o presidente da ArcelorMittal, Lakhsmi Mittal, citado em um comunicado.
“Embora tenha continuado com uma forte demanda em nossos mercados, os preços sofreram uma deterioração significativa ao longo do anos, devido ao excesso da capacidade (produtiva) da China”, prosseguiu.
No ano passado, as depreciações de ativos da empresa, principalmente no setor da mineração, somaram 4,8 bilhões de dólares.
Sua dívida líquida se estabilizou em 15,7 bilhões de dólares em 31 de dezembro, frente aos US$ 15,8 bilhões um ano antes.
O equilíbrio foi alcançado graças aos esforços de redução de custos e de adaptação a condições de mercado adversas, explicou o presidente do grupo.
“Reduzir a dívida continua sendo uma prioridade”, destacou Lakshmi Mittal.
Com este objetivo, o grupo anunciou uma série de medidas como a redução de investimentos neste ano e a suspensão do pagamento de dividendos.
Em paralelo, anunciou a venda por 875 milhões de euros (cerca de 1 bilhão de dólares) da participação de 35% que possuía no fabricante espanhol de autopeças Gestamp. O comprador foi o principal acionista desta empresa, a família Riberas.
A multinacional também prevê um aumento de capital de 3 bilhões de dólares durante o primeiro semestre deste ano.
Os 4 bilhões de dólares que são previstos nestas duas operações deverão permitir-lhe reduzir a dívida até os 12 bilhões de dólares no final do ano.
O grupo anunciou igualmente seu plano de ação a médio prazo, que aponta melhorar sua margem bruta de exploração estrutural em cerca de 3 bilhões de dólares de agora até 2020.
Mas em 2016, a ArcelorMittal prevê “outro ano difícil” para suas indústrias, embora os preços chineses tenham aumentado desde seus mínimos de 2015.
A empresa prevê para este ano uma nova queda de sua EBITDA a 4,5 bilhões de dólares, algo inferior a de 2015.
As projeções baseiam-se nos preços do aço e das matérias-primas a seus níveis atuais, embora possam apresentar uma melhora.
“Parecia que o período mais difícil se situou no final de 2015”, declarou o diretor financeiro do grupo, Aditya Mittal.
A demanda de aço deverá manter-se “estável” em 2016, graças ao crescimento da economia nos Estados Unidos e na Europa, que compensarão a desaceleração de outros mercados, completou.
Os anúncios desta sexta-feira, e em especial da perspectiva de um aumento de capital, provocaram uma queda das ações da ArcelorMittal na Bolsa de Paris. Até às 12H00 (Brasília), as ações do grupo operavam em queda de 7,81%.
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