Em maio de 1997, um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre arenas multiuso informava que o Brasil ainda não era capaz de instalar um estádio com um perfil que mesclasse eventos esportivos, culturais, musicais e espaço para negócios. Porém, o documento mostrava que esse formato chamado de “arena multiuso” seria uma tendência relevante no futuro. 

Quase 16 anos depois, o conceito do estudo sobre as arenas permaneceu, mas a realidade mudou. Com a chegada de grandes eventos, o Brasil não só virou um destino promissor para construir arenas, como virou um celeiro de investimentos estrangeiros em função da Copa do Mundo de 2014. A pergunta é se os clubes e seus parceiros vão conseguir gerar receita com as arenas. 

Atualmente, o País possui em construção importantes estádios, alguns deles que já foram batizados em parcerias com marcas patrocinadoras, modalidade conhecida no Exterior como naming rights. É o caso das arenas Fonte Nova Salvador e Arena Pernambuco patrocinados pela Itaipava e o estádio do Palmeiras, o Allianz Parque com a seguradora homônima. 

 

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Allianz Arena, em Munique, um dos exemplos mais bem sucedidos de naming rights

 

A Allianz, a W Torre e a empresa de entretenimento AEG oficializaram em abril o direito de nomear o novo estádio do Palmeiras. A principal inspiração para o negócio no Brasil, segundo Edward Lange, CEO da Allianz, foi a Allianz Arena, em Munique, na Alemanha, que deu grande visibilidade à marca. 

 

Em maio, o Grupo Petrópolis anunciou seu segundo patrocínio a uma arena, além da Fonte Nova, em Salvador, oficializou o patrocínio à Arena Pernambuco por um valor aproximado de R$ 100 milhões durante 10 anos. 

 

Mão de obra qualificada

 

Impulsionadas pela Copa do Mundo, as arenas vão além de um modelo tradicional de ?Centro de Eventos?. Eas precisam de uma estratégia de negócios que consiga atrair um público peculiar, pois envolve torcedores e os administradores têm o desafio de fazer com que ela gere receita o ano inteiro.

 

Fernando Trevisan, diretor da Trevisan Escola de Negócios, explica que o Brasil está 15 anos atrás da Europa e dos Estados Unidos no que diz respeito às arenas. ?A principal referência que usamos hoje quando o assunto é arena multiuso vem de Amsterdã que foi construída em 1996 e guarda um pouco de semelhança com projeto do Itaquerão.”

 

Segundo Trevisan, o fato de sediar um grande evento acelera esse processo de renovação. ?Já nos Estados Unidos são projetos que surgem de forma pontual sem relação com grandes eventos.”  Trevisan afirma que uma das grandes preocupações do setor é ter mão de obra qualificada para esse tipo de negócio.

 

 ?Há uma grande demanda para esse tipo específico de mão de obra. Estima-se que cada nova arena vai precisar de 35 a 70 profissionais especializados para sua gestão, abrindo um campo de trabalho novo de cerca de 730 vagas nas 14 novas arenas?, informa Trevisan. ?É importante que esse profissional tenha sensibilidade para lidar com o torcedor e suas peculiaridades como consumidor?. 

 

As principais arenas do Brasil:

 

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Grêmio Arena

Cidade: Porto Alegre (RS)

Administrador: OAS Arenas

 

 

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Allianz Parque

Cidade: São Paulo (SP)

Administrador: W Torre

Patrocinador: Allianz Seguros

 

 

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Itaquerão

Cidade: São Paulo (SP)

Construtora: Odebrecht

 

 

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Fonte Nova Salvador

Cidade: Salvador (BA)

Administrador: OAS Arenas e Odebrecht

Patrocinador: Grupo Petropólis

 

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Arena Pernabuco

Cidade: Recife (PE)

Administrador: Odebrecht

Patrocinador: Grupo Petropólis

 

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