26/07/2000 - 7:00
Investir em boi gordo é para quem quer distância dos riscos da bolsa de valores, mas nem por isso se sente atraído pela rentabilidade da poupança. Quando você assina um contrato desses já tem garantido um ganho mínimo (a engorda do boi) de cerca de 42% em 30 meses. Mas pode aumentar ainda mais dependendo da valorização da arroba. Um misto de renda fixa e variável, que no Brasil continua sendo um negócio de poucos. Menos de 21 mil pessoas apostam hoje nessa aplicação. Motivo? As empresas do setor ainda não conseguiram vencer um desafio: a falta de credibilidade entre os investidores. No início de 98, todo mundo foi surpreendido com o calote gigante da Gallus Agropecuária, que quebrou deixando um rombo de R$ 35 milhões e um trauma no mercado. Em pouco tempo, o negócio deixou de ser visto como uma idéia brilhante. E recomendar esse produto financeiro era quase como sugerir a compra de ações de uma empresa falida. ?A gente ouvia: ?lá vem mais um picareta??, lembra João Tucci, presidente da Arroba?s.
Apostar em boi gordo tem dois riscos. Você perde dinheiro numa crise no mercado de carne (como a da vaca louca na Inglaterra) ou se a empresa escolhida não for tão estável assim (caso da Gallus). O estrago foi tanto que obrigou a CVM a regulamentar o setor. Das nove empresas daquela época, só duas ainda podem emitir contratos de boi: Arroba?s e Fazendas Reunidas Boi Gordo. Mas nem assim o risco acabou. Em agosto do ano passado, foi decretada a falência da Ouro Branco. A empresa foi regulamentada pela CVM, mas já tinha perdido o direito de atuar por omitir dados financeiros.
Assim como na escolha de um banco, você precisa se encher de informações sobre a empresa antes de fechar negócio. ?E nunca aposte mais que 30% da sua carteira nessa modalidade?, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação dos Executivos em Finanças, Administração e Contabilidade. O administrador Luciano Menezes é ainda mais cauteloso: destinou 5% de seu portfólio ao boi gordo. ?Assim, tenho uma rentabilidade mínima garantida e o risco do mercado de commodity?, diz Menezes.
Mas prepare-se para a falta de liquidez. Devido ao número pequeno de investidores, é impossível uma negociação paralela de papéis como acontece com o ouro. É preciso esperar o fim do contrato para resgatar. Por não ter pressa, o analista de investimento Marcos Brandão optou pelo negócio há dois anos. Se resgatasse hoje, antes do final do contrato, teria uma rentabilidade de 30%. Menos do que na Bolsa (108,4%) e mais do que na poupança (25,3%). Se tudo correr bem, ele espera ter um rendimento de 48% no final do ano. ?É a forma mais segura que encontrei de correr risco.?