27/10/2004 - 7:00
As tradicionais filas formadas em torno do prédio onde se instala a Bienal de Artes de São Paulo, no Ibirapuera, ficaram ainda maiores na edição deste ano. O motivo é a entrada gratuita garantida a todos os visitantes até o final da mostra, em 19 de dezembro. É uma espécie de promoção da Fundação Bienal para tornar o evento acessível a um maior número de pessoas. Diferentes esforços com o mesmo objetivo vêm sendo adotados no mercado de arte brasileiro nos últimos anos, mas a compra e venda das obras continuavam restritas a um grupo seleto com capacidade para pagar as peças à vista. Agora, surgem iniciativas para estimular a comercialização das peças. Entre os próximos dias 26 e 28, a marchand Soraia Cals realiza, no Rio de Janeiro, mais um de seus qualificados leilões de arte. Nele, será oferecida uma parceria inédita com a BRR Administradora de Crédito, que oferecerá uma linha de financiamento exclusiva para quem adquirir peças do leilão. As vendas poderão ser parceladas em até 10 vezes com juros de 2,5% ao mês. ?As condições são especiais e só valem para este leilão?, explica Soraia. ?É um teste, mas, se for bem-sucedido, poderá ser adotado outras vezes.?
Haverá, nessa fase de experiência, algumas restrições à concessão do benefício. A aprovação dependerá não apenas da avaliação de crédito tradicional do cliente, feita pela BRR, mas, principalmente, da palavra final da marchand. Quem recebe o financiamento vira devedor da BRR, que liquida o débito com Soraia à vista. ?Se a financeira não aprova um comprador, mas eu assino a garantia, eventuais perdas serão minhas?, diz a marchand. O risco de inadimplência de cada comprador será analisado previamente. ?A vantagem do financiamento é que o cliente compra um bem que está valorizando e compensará os juros pagos?, afirma Soraia. Mas isso só vale para artistas consagrados? ?Mesmo artistas desconhecidos podem valorizar bastante, depende de saber comprar?, avalia. Com o financiamento, já no próximo leilão será possível adquirir os quadros ?Luar?, de Di Cavalcanti, e ?Índia Carajá?, de Cândido Portinari. Estão avaliados, respectivamente, em R$ 998 mil e R$ 1,4 milhão e são destaques das três noites. ![]()
FACILIDADE No contrato da empresa de crédito BRR, o preço de cada |