Missão vai ser concluída na noite desta sexta-feira com reentrada na atmosfera terrestre. Nessa etapa, tripulação vai enfrentar temperaturas extremas em altíssima velocidade.Os quatro astronautas que fizeram história ao alcançar a órbita lunar pela primeira vez em mais de meio século se preparam para retornar à Terra nesta sexta-feira (10/04). A etapa exigirá uma manobra tão crítica quanto o lançamento, com uma queda a uma velocidade 45 vezes maior do que a de um avião e temperaturas que chegam a quase metade das da superfície do Sol.

A chegada da cápsula Orion está prevista para as 21h07 (horário de Brasília), em uma área estimada de 3,7 mil quilômetros no Pacífico, na costa de San Diego, no estado americano da Califórnia.

A bordo da cápsula Orion, Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen não apenas sentirão o peso deles multiplicado por quatro durante a queda, mas também enfrentarão temperaturas extremas de de cerca de 2.700 °C, depositando sua segurança no escudo térmico da nave, outro dos testes decisivos da missão Artemis 2.

“Pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo”, disse Glover em vídeo antes da operação de reentrada.

Wiseman, Glover, Koch e Hansen estão a caminho de atingir a atmosfera viajando a 32 vezes a velocidade do som, uma velocidade não vista desde as missões Apollo da Nasa às Luas nas décadas de 1960 e 1970.

Na reentrada, os astronautas não planejavam assumir o controle manual, exceto em caso de emergência, já que a cápsula Orion é totalmente autônoma.

O diretor de voo da Artemis 2, Jeff Radigan, admitiu sentir um pouco do “medo irracional que é da natureza humana”, o que ficará ainda mais evidente durante os seis minutos de interrupção da comunicação que antecedem a abertura dos paraquedas. O navio de resgate USS John P. Murtha aguarda a chegada da tripulação, assim como um esquadrão de aviões militares e helicópteros.

Manobra de “alto risco”

O engenheiro espanhol Carlos García-Galán, responsável pelo programa Moon Base da Nasa, explicou que o lançamento e a decolagem são as manobras de maior risco.

Ele destacou que o retorno permitirá atingir a velocidade necessária para testar o escudo térmico que protege os astronautas das “temperaturas extremamente altas geradas pelo atrito com a atmosfera ao entrar na Terra”.

“Essa velocidade só podemos alcançá-la se formos em direção à Lua”, acrescentou ele à agência EFE. A missão de dez dias orbitou o satélite natural – sem pousar – e se tornou a primeira viagem tripulada a atingir a órbita lunar desde 1972.

Durante um voo de teste, ocorreram problemas com o escudo térmico. Em consequência, a Nasa alterou a estrutura da estrutura e optou por uma rota diferente para a reentrada na atmosfera.

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, garantiu que não ficará tranquilo até que os quatro tripulantes retornem para suas famílias.

“Vou ser honesto e dizer que, na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando nos designaram essa missão”, disse à imprensa Rick Henfling, diretor de Voo para o Retorno da Artemis.

Recorde de distância da Terra

Depois de decolar da Flórida em 1º de abril, os astronautas acumularam uma conquista após a outra ao conduzirem com destreza o tão esperado retorno lunar da Nasa, o primeiro grande passo para o estabelecimento de uma base lunar sustentável.

Os tripulantes da Artemis 2 não pousaram na Lua. Mas conseguiram quebrar o recorde histórico de distância percorrida da missão Apollo 13 de 1970, tornando-se os humanos que mais longe já viajaram da Terra ao atingirem 406.771 quilômetros. Em seguida, na cena mais comovente da missão, os astronautas, com lágrimas nos olhos, pediram permissão para batizar duas crateras com os nomes da nave lunar e da falecida esposa de Wiseman, Carroll.

Durante a aproximação recorde, eles documentaram cenas do lado oculto da Lua e apreciaram um eclipse solar total, uma cortesia do cosmos graças à data de lançamento. O eclipse, em particular, “simplesmente nos deixou boquiabertos”, disse Glover.

Problemas a bordo

No entanto, a viagem não ocorreu sem problemas técnicos. Tanto o sistema de água potável quanto o de propulsão da cápsula enfrentaram percalços com as válvulas. O contratempo mais notável foi no banheiro, o que impediu a tripulação de usá-lo para fazer xixi durante a maior parte da viagem, forçando os astronautas a recorrer a sacolas plásticas e funis.

Mas isso não preocupou os astronautas. “Não podemos explorar mais a fundo a menos que façamos algumas coisas que sejam inconvenientes”, disse Koch, “a menos que façamos alguns sacrifícios, a menos que assumamos alguns riscos, e tudo isso vale a pena.”

Em 2027, a missão Artemis 3 prevê a acoplagem da cápsula a um ou dois módulos de pouso lunar em órbita ao redor da Terra. Já a Artemis 4 tentará pousar uma tripulação de dois astronautas perto do polo sul da Lua em 2028.

fcl (AP, EFE, AFP)