27/06/2007 - 7:00

FONSECA, DA ARVAL: “O carro é parte fundamental da estratégia e não pode ser visto apenas pela questão do custo”
O BNP Paribas, um dos maiores bancos europeus, está decidido a quebrar uma espécie de oligopólio no País. O alvo é o mercado de locação corporativa de automóveis, dominado por empresas como Localiza, Unidas, Hertz e Avis. O banco francês, por meio da subsidiária Arval, está investindo pesado para abocanhar esse filé mignon das locadoras. A terceirização de frotas de empresas representa mais de 50% do faturamento do setor, de R$ 3,2 bilhões em 2006. Destes, R$ 1,7 bilhão proveio da locação de 137 mil veículos para grandes e médias empresas.O mercado de gestão de frotas e aluguel de longo prazo de veículos – a especialidade da Arval em 20 países – é tão promissor que a companhia está investindo R$ 360 milhões até 2009 no Brasil. Um ano depois de abrir seu escritório em São Paulo, a multinacional fechou contrato com o primeiro cliente, uma companhia japonesa do setor agrícola. E percebeu que a busca por um lugar no pátio não será tão fácil assim.
Nesse período, o diretor-executivo Roberto Fonseca gastou combustível e conheceu 150 empresas. Notou que o mercado brasileiro é diferente do de países em que a Arval atua. Por aqui, as locadoras de veículos fazem a gestão de frotas baseadas em contratos de exclusividade com uma montadora. Esse sistema coloca à disposição da empresa uma marca e poucos modelos, o que pode fazer um executivo e um vendedor terem direito ao mesmo automóvel. Em no máximo 18 meses, o compromisso é renovado com a nova frota de veículos. A Arval propõe mudar esses hábitos. Para Fonseca, mais importante que oferecer o carro do ano é deixar o funcionário satisfeito com o benefício. Ou seja: oferecer o automóvel adequado. “O carro é parte fundamental da estratégia de uma empresa e não pode ser visto apenas pela questão do custo”, diz Fonseca. Lá fora, a companhia tem 615 mil carros sob supervisão. Aqui, a meta é atingir cinco mil nos próximos dois anos. Para isso, oferece flexibilidade aos clientes. Os prazos chegam a 54 meses. Em países como Bélgica e Holanda, o funcionário da empresa assistida escolhe o seu veículo de acordo com o cargo, podendo optar entre marcas e modelos diversos. Isso é possível porque a Arval não faz contratos de exclusividade com as montadoras.
R$1,7 bilhão foi gasto no ano passado pelas empresas com o aluguel de carros no Brasil
Seu modelo de negócios leva em consideração os locais de utilização do automóvel, a quilometragem e o motorista. Os contratos podem incluir serviços de manutenção, seguro e demais despesas. Se os custos indiretos forem bem geridos, diz Fonseca, os gastos mensais das empresas com as frotas podem cair até 30%. “As companhias normalmente não fazem um bom controle dos custos indiretos”, afirma. Segundo a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla), empresas com um bom plano de negócio podem ter 6% de redução de custos com a terceirização da frota. Mas se o perfil administrativo for bagunçado, a economia potencial é de 25%, em média. “A terceirização é mais barata que a frota própria”, defende José Adriano Donzelli, presidente da Abla.
615 mil veículos é o tamanho da frota administrada pela Arval em 20 países
No mundo, a Arval está em terceiro lugar na corrida pela frota das empresas. Perde apenas para a Lease Plan, da Volkswagen, e a ALD Automotive, do banco Société Génerale. O primeiro cliente da Arval por aqui é a Arysta LifeScience Brasil, filial de uma empresa japonesa que trabalha com produtos agrícolas. O controller Humberto Morita decidiu terceirizar a frota de 100 veículos. “Era uma dor de cabeça ter pessoas dedicadas exclusivamente a um negócio que não é foco da empresa”, justifica.