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GOVINA E LANDABURU Meta para aumentar o faturamento da empresa em 12%


Quer tirar o humor de um executivo da Black & Decker? Fácil, pergunte a ele sobre a China. Com custos baixos e escala de gigante, essa megapotência está provocando uma revolução no mundo dos negócios. Quem quer permanecer no jogo precisa repensar suas estratégias e agir. Quem não fizer isso, corre o risco de fechar as portas. A Black & Decker optou pelo primeiro caminho. O sinal amarelo acendeu quando o faturamento caiu 3% em 2005, para R$ 318 milhões. No ano passado, o crescimento ficou aquém do esperado e as receitas não superaram R$ 350 milhões. O vilão foi a China, com produtos baratos e importação crescente para o Brasil. As furadeiras, um dos principais negócios da Black & Decker no País, chegavam aqui com preços 50% menores do que as produzidas localmente. Por isso, a empresa decidiu dar uma virada e já neste mês passa a atuar em três novos segmentos: o de serras estacionárias, o de ferramentas pneumáticas e o de acessórios automotivos. “Os chineses são uma forte ameaça em furadeiras, por exemplo, mas ainda não têm competência nas ferramentas premium”, diz Júlio Landaburu, gerente de marketing de eletrodomésticos e ferramentas do grupo. “Entrar nestes mercados fazia parte da estratégia do grupo, mas não há como negar que a concorrência chinesa, o dólar favorável e o aquecimento da economia endossaram a decisão”

 

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Importados de Taiwan, os novos produtos serão decisivos para garantir crescimento de 12% nas receitas do grupo neste ano. Em três anos, a participação deve chegar a 30% do faturamento. Nos primeiros dias do mês de julho, os pedidos surpreenderam a companhia. “Estamos preparados para seis meses de vendas. Se a procura pelos novos produtos estourar teremos tempo hábil para buscar mais quantidade em Taiwan”, diz ele. Uma possível localização da produção também não faria sentido já que a fábrica asiática é centro de produção mundial do grupo para essas linhas, o que torna o seu custo imbatível. Além disso, estão longe de ter uma escala que justifique investimento em chão de fábrica por aqui. Esse é justamente um dos diferenciais para crescer. “Vamos vender produtos diferenciados”, afirma Fábio Govina, gerente de marketing da Porter Cable, marca da Black & Decker para a linha de ferramentas pneumáticas. “O suporte técnico e uma distribuição eficiente neste caso é essencial e temos este pacote para oferecer.”

 

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A estratégia tem tudo para dar certo, já que os riscos dessa expansão são quase nulos. A logística, do Porto de Santos até os centros de distribuição, já está montada para atender outras vendas do grupo. “Hoje trabalhamos com mais de vinte mil pontos-de-vendas, com os novos produtos o leque se abriu ainda mais.” Para completar o quadro positivo, essas nova linhas não têm nenhum grande concorrente, nenhuma marca que tenha chegado ao nível de se tornar sinônimo do produto. É justamente este lugar que a Black & Decker almeja conseguir antes que os chineses tenham o know how para chegar lá.