A seguir as principais abdicações de soberanos no mundo desde 1936 e até a anunciada nesta segunda-feira do rei da Espanha Juan Carlos em favor de seu filho, o príncipe Felipe:

– No Reino Unido, Edward VIII abdicou em 12 de dezembro de 1936 para se casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada, evitando assim uma grande crise constitucional.

Seu irmão mais novo Albert, pai da atual rainha Elizabeth II, foi coroado rei com o nome de George VI em maio de 1937.

– Victor Emmanuel III, rei da Itália desde 1900, abdicou em 9 de maio de 1946 devido à sua colaboração com o regime fascista de Mussolini. Seu filho Umberto II, o “Rei de Maio”, foi para o exílio em junho do mesmo ano, após um referendo que instituiu a República.

– Michel I da Romênia foi forçado a abdicar pelos comunistas em dezembro de 1947 e partir para o exílio alguns meses depois. Ele sucedeu seu pai em 1940, Carol II, considerado o responsável pelo desmembramento da “Romênia Maior”.

– Leopoldo III da Bélgica, rei desde 1934, mas muito questionado por suas ações durante a Segunda Guerra Mundial, abdicou em 16 de julho de 1951 em favor de seu filho Balduíno I. Ele queria afastar o risco de guerra civil que pairava desde seu retorno ao trono após seis anos de exílio.

– Rei Faruk I do Egito abdicou em julho de 1952 durante a revolução liderada por Nasser, 16 anos após sua ascensão ao trono. Seu filho, Fuad II, sucedeu-lhe, mas precisou se juntar à família no exílio após a proclamação da República menos de um ano depois, em junho de 1953.

– O Grande Duque Jean de Luxemburgo abdicou em 7 de outubto de 2000, após reinar por 36 anos, em favor de seu filho mais velho, o príncipe Henri, que se tornou o 6º grão-duque da monarquia. Jean havia sucedido sua mãe, a grã-duquesa Charlotte, após sua abdicação em 1964.

– O rei do Camboja Norodom Sihanouk, de 81 anos, renunciou a coroa em 7 de outubro de 2004, quando era tratado em Pequim por câncer. O Conselho do trono escolheu como seu sucessor um de seus filhos, o príncipe Norodom Sihamoni. Uma vez no trono em 1941, Sihanouk abdicou em 1955 em favor de seu pai, antes de voltar a ser o monarca constitucional em 1993.

– A abdicação em 2013 da Rainha Beatrix da Holanda (75 anos), em 30 de abril de 2013 em favor de seu filho Willem-Alexander, aconteceu após 33 anos de reinado. Antes dela, a rainha Juliana abdicou em 30 abril de 1980, no dia do seu 71º aniversário, em favor de Beatrix, sua filha mais velha. Juliana foi entronada em setembro de 1948, dois dias após a abdicação de sua mãe, a rainha Wilhelmina.

– O emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, abdicou em favor de seu filho, o xeque Tamim bin Hamad al-Thani, em 25 de junho de 2013, para passar a tocha para a próxima geração neste rico Estado do Golfo.

A abdicação do Emir (61 anos), que chegou ao poder em 1995 por uma revolução palaciana, foi algo raro na história recente do mundo árabe.

– Albert II, Rei dos Belgas (79 anos), abdicou em 21 de julho de 2013, após 20 anos de governo em favor de seu filho mais velho Philippe. O rei, que tinha sucedido em 1993 seu irmão Balduíno, que morreu de repente, pediu aos belgas para manter a “coesão” do país, dividido entre flamengos e francófonos.

– A abdicação anunciada nesta segunda-feira do rei da Espanha Juan Carlos (76 anos), em favor de seu filho, o príncipe Felipe, é o resultado de um reinado marcado por seus problemas de saúde e escândalos de corrupção da família real.

Juan Carlos ascendeu ao trono com a morte de Francisco Franco em novembro de 1975 e construiu a sua popularidade levando a transição da Espanha para a democracia.

Além disso, em Liechtenstein, o príncipe Hans-Adam II transmitiu em 2004 a direção dos assuntos correntes do Estado para seu filho mais velho Alois, agora regente do principado.

sg-vm/pt/mr