A chuva de homenagens à memória da rainha Elizabeth II, chefe de Estado do Reino Unido e de 14 países da Commonwealth, continua em todo o mundo nesta sexta-feira (9), um dia após sua morte aos 96 anos.

O presidente Jair Bolsonaro, que não tem laços particularmente estreitos com o Reino Unido, decretou três dias de luto oficial pela morte da soberana, a quem definiu como “uma rainha para todos”.

O papa Francisco disse estar “profundamente entristecido” e que rezaria pela falecida rainha e seu sucessor, o rei Charles III.

O presidente dos EUA, Joe Biden, que ordenou que bandeiras na Casa Branca e nos prédios do governo fossem hasteadas a meio mastro em homenagem a Elizabeth II, elogiou “uma estadista de dignidade e firmeza incomparáveis” e disse que espera trabalhar com Charles III, com quem ele mantém uma “amizade próxima”.

O presidente francês Emmanuel Macron descreveu Elizabeth II como “uma amiga da França” que “marcou seu país e seu século para sempre”. “Todos nós sentimos um vazio”, disse ele. A rainha visitou a França mais do que qualquer outro país europeu e falava francês.

Elizabeth II “foi uma presença tranquilizadora durante décadas de mudanças de longo alcance, incluindo a descolonização na África e na Ásia”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres. O Conselho de Segurança da ONU fez um minuto de silêncio na quinta-feira.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Elizabeth II tinha “o amor e o respeito” de seu povo e “autoridade” no mundo. Mas o Kremlin disse que o presidente não planeja comparecer a seus funerais.

O presidente chinês Xi Jinping enviou suas “sinceras condolências à família real britânica, ao governo e ao povo britânico”. A declaração publicada na mídia estatal destaca que Elizabeth II foi a primeira monarca britânica a visitar a China e elogia a longevidade de seu reinado.

Na Alemanha, país que durante a vida da rainha passou de maior inimigo do Reino Unido a poderoso aliado, o chefe de Estado, Frank-Walter Steinmeier, disse que Elizabeth II simbolizava a “reconciliação”, ajudando a “curar as feridas” da Segunda Guerra Mundial. “Não há palavras para homenagear, mesmo que parcialmente, a importância desta rainha”, disse a ex-chanceler alemã Angela Merkel.

“Ela desempenhou um papel importante na criação de paz e prosperidade no mundo”, disse o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.

O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, saudou Elizabeth II como uma “figura excepcional”.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, declarou que a morte de Elizabeth II foi uma “perda irreparável”.

Os líderes da União Europeia expressaram suas condolências por quem foi chefe de Estado do Reino Unido desde a entrada do país na Comunidade Econômica em 1973 até sua saída do bloco em 2020.

“Ela nunca deixou de nos mostrar a importância de valores duradouros em um mundo moderno”, disse Charles Michel, presidente do Conselho Europeu.

“Foi um farol de continuidade” ao longo de “transformações profundas”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O rei espanhol Filipe VI disse que Elizabeth II foi “uma das melhores rainhas de todos os tempos por sua dignidade, senso de dever, coragem e dedicação ao seu povo sempre e em todos os momentos”.

Philippe da Bélgica destacou Elizabeth II como “uma personalidade extraordinária”. A rainha Margrethe II da Dinamarca, agora a soberana mais velha da Europa, a descreveu como “uma grande inspiração” para todas as monarquias europeias.

O grão-duque Henri de Luxemburgo disse estar “profundamente entristecido”, assegurando que seu país “nunca” esqueceu o apoio do Reino Unido à sua família, recebida em Londres após a invasão alemã em 1940.

O imperador do Japão, Naruhito, elogiou as “muitas conquistas e contribuições” de Elizabeth II.

O rei Salman da Arábia Saudita disse que a rainha era “um modelo de liderança”.

Do sul da Ásia, onde o Reino Unido era a potência colonial até pouco antes do início do reinado de Elizabeth em 1952, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, chamou Elizabeth de “um guia inspirador para sua nação e seu povo”.

No vizinho Paquistão, o presidente Arif Alvi lembrou-se de Elizabeth II como uma “grande líder benevolente” cuja partida deixou um enorme vazio.

“Sua vida e legado serão lembrados em todo o mundo”, disse o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

No Quênia, onde Elizabeth soube da morte de seu pai em 1952, o presidente cessante Ujuru Kenyatta a chamou de “um imenso ícone de serviço altruísta à humanidade” e o presidente eleito William Ruto elogiou sua liderança “admirável” da Commonwealth.

Na Austrália, outro país governado por Elizabeth II, o primeiro-ministro Anthony Albanese, um republicano declarado, elogiou a “eterna decência” da monarca e disse que sua morte marcou “o fim de uma era”.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que Elizabeth II, chefe de Estado do Canadá, é uma “presença constante” na vida dos canadenses. “Será sempre uma parte importante da história” do país, disse.

David Burt, primeiro-ministro do território britânico das Bermudas, elogiou uma “vida de serviço inabalável”.

O presidente irlandês Michael Higgins saudou uma “amiga extraordinária da Irlanda”.

A primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, que é a favor da independência escocesa, disse que foi “um momento profundamente triste para o Reino Unido, a Commonwealth e o mundo”.

A Argentina, que lutou e perdeu uma guerra com o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas em 1982, expressou seu “pesar” pela morte de Elizabeth II.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou o “enorme legado de paz e prosperidade” que Elizabeth II deixou no Reino Unido. Seu antecessor, Barack Obama, elogiou um reinado definido por “graça, elegância e um inabalável senso de dever”.

Nelson Mandela e a rainha chamavam-se pelo primeiro nome, um privilégio raro, recordou a fundação do herói da luta contra o apartheid. Ele a apelidou de “Motlalepula”, que significa “veio com a chuva”, evocando uma visita de Estado em 1995 marcada por dilúvios.